Receita apreende em PE mais 23 t de lixo hospitalar dos EUA

Segundo contêiner apreendido no Porto de Suape (PE) tinha toalhas, batas e material orgânico de vários hospitais

ANGELA LACERDA / RECIFE , O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2011 | 03h06

A Receita Federal apreendeu ontem mais um contêiner vindo dos Estados Unidos com lixo hospitalar, no Porto de Suape (PE), no município de Ipojuca. Foi a segunda apreensão realizada em três dias.

Na terça-feira, foi apreendido um primeiro contêiner, com 23 toneladas de lençóis sujos, seringas, luvas usadas e cateteres. O segundo, com o mesmo peso, continha lençóis, fronhas, toalhas de banho, batas, pijamas e roupas de bebê com identificação de vários hospitais norte-americanos, alguns sujos e com presença de matéria orgânica.

Os contêineres, embarcados no Porto de Charleston, na Carolina do Sul (EUA), foram importados por uma empresa de Santa Cruz do Capibaribe, município do polo têxtil pernambucano, no agreste.

De acordo com o inspetor chefe da alfândega da Receita no Porto de Suape, Carlos Eduardo da Costa Oliveira, um total de oito contêineres desembarcaram no porto este ano, numa transação envolvendo as mesmas empresas. Seis deles passaram pela alfândega sem fiscalização. A documentação das cargas dos dois contêineres apreendidos indicava se tratar de "tecido de algodão com defeito".

Segundo ele, ainda não foi decidido se o lixo será devolvido aos EUA ou se será destruído.

A Receita Federal trabalha com três hipóteses para explicar a importação do lixo hospitalar. Na primeira, os hospitais não teriam envolvimento com a exportação porque o serviço de descarte do lixo seria terceirizado e a empresa contratada para tal teria preferido enviar o material para outro país - pagando a empresa receptora - para escapar da rígida burocracia que envolve a destinação do lixo hospitalar nos EUA. Há também a possibilidade de a empresa importadora ( têxtil) estar comprando o material usado pelos hospitais para reaproveitar os tecidos. Na terceira hipótese, tudo teria sido fruto de um engano. O Ministério Público Federal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e a Polícia Federal foram acionados.

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