Relator da ONU reúne-se com mães de vítimas de violência no Rio

Mães de vítimas de violênciapolicial no Rio de Janeiro reuniram-se com um relator especialda Organização das Nações Unidas (ONU), nesta quarta-feira,para contar a história dos filhos que foram mortos e buscarjustiça para os crimes que denunciam. Luciene Silva, 42 anos, mãe de Raphael Silva Couto, um dos29 mortos na chacina ocorrida na Baixada Fluminense em 2005,disse que grupos de extermínio continuam agindo e matandojovens. "O que mais me impressiona é que crimes como esse sãocometidos por policiais, que deveriam dar segurança e nãoameaçar a população", disse Luciene nesta quarta, em umauniversidade no centro da cidade. Raphael, lembrou ela, foi a primeira vítima do grupointegrado por policiais, morto com um tiro na cabeça em NovaIguaçu. O relator da ONU para execuções extrajudiciais, PhilipAlston, não quis comentar as denúncias de violência policial efalhas do Judiciário no país. Ele vai apresentar um relatórioao governo após sua viagem de 11 dias. "Meu objetivo é ouvir as alegações que estão sendo feitaspor diferentes grupos relacionados a essas mortes", disse ajornalistas, acrescentando que além de casos de granderepercussão há outros que também vai analisar. "O mais importante enquanto eu estiver aqui é ouvir osrelatos de diferentes setores", afirmou ele, que já se reuniucom autoridades, promotores e representantes da sociedadecivil. Alston não é o primeiro relator especial da ONU a quem amãe do jovem Hanry de Oliveira conta seu drama. Márcia deOliveira Silva, 46, já se reuniu em 2003 com Asma Jahangir emsua visita ao Brasil. Márcia ainda aguarda a condenação dos policiais acusados damorte do filho, ocorrida em 2002, no Morro do Gambá, zona nortedo Rio. Ela disse que sofreu muito até conseguir o indiciamentode dois suspeitos. "Se tivessem feito o inquérito como se fazem os da elite,já estariam condenados, mas por ser negro e da favela foi umaluta", disse Márcia, vestindo uma camiseta com a foto do filhoestampada. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Rio, apolícia matou 961 suspeitos no Estado nos primeiros nove mesesde 2007. O relator da ONU já passou por São Paulo e depois do Riovai a Recife e Brasília. Sua investigação também se concentraem execuções sumárias e mortes dentro do sistema prisional emSão Paulo, além de violência no campo, contra povos indígenas egrupos de extermínio em Pernambuco. (Por Maria Pia Palermo)

REUTERS

07 de novembro de 2007 | 20h54

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