Resultados de dietas são prejudicados pelo estresse

Estudos apontam que o estresse é responsável pelo aumento de peso, mas que pode ajudar a prevenir o acúmulo de gordura no corpo e aumentá-lo em outros

Agencia Estado

03 Julho 2007 | 14h32

Relatório publicado na terça-feira pela revista Annals of Internal Medicine afirma que a maior parte das dietas tem o mesmo resultado e nenhum é permanente na luta contra a obesidade. Segundo o doutor Michael Dansinger, do Centro Médico Tufts da Nova Inglaterra, em Boston, o resultado negativo poderia ser causado pelo estresse. Dansinger também afirma que qualquer dieta consegue fazer com que as pessoas percam entre três e cinco quilos, mas irremediavelmente, na maioria dos casos, esses quilos voltam no prazo de cinco anos, indicou. O mesmo cenário acontece com os remédios para emagrecer. Por outro lado, os médicos acrescentam que a perda de peso, embora modesta durante um período superior aos cinco anos, traz grandes benefícios para a saúde e a prevenção do diabetes. O problema da obesidade é considerado uma epidemia nos Estados Unidos onde cerca de 60% da população tem excesso de peso. Segundo estudos dos Institutos Nacionais da Saúde, a obesidade é a principal causa de várias doenças além do diabetes, entre elas as cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Paralelamente, outro estudo publicado pela revista Nature Medicine revelou que um grupo de cientistas descobriu um mecanismo biológico da obesidade ativado pelas tensões psicológicas. A descoberta foi feita em ratos de laboratório que revelaram um grande aumento de peso, após as cobaias terem sido submetidas a uma intensa pressão psicológica ao mesmo tempo em que se administrava uma dieta de alto nível calórico. Mary F. Dallman, professora de fisiologia da Universidade da Califórnia, disse que as pressões às quais uma pessoa é submetida e a existência de alimentos de alto nível calórico explicariam a crise da epidemia de obesidade vivida pelo país. Como no caso das dietas com resultados decepcionantes na maioria dos casos, também no descobrimento do estresse como fator de obesidade, há um aspecto positivo. Os pesquisadores do Departamento de Fisiologia e Biofísica da Universidade de Georgetown, disseram que ao se bloquear os sinais desse mecanismo ativado pelo estresse, pode-se prevenir o acúmulo de gordura em certas partes do corpo ou aumentá-lo em outros. Isto abre um novo campo de enorme importância cosmética e com ele poderia ser eliminada gordura e moldá-la em lugares "estratégicos" do corpo de uma pessoa. "Isto poderia ser revolucionário", disse Zogia Zukowska, bióloga da Universidade de Georgetown que conduziu a pesquisa.

Mais conteúdo sobre:
estresse dieta

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.