Seca faz municípios cancelarem festa junina

Pelo menos 20 cidades baianas desistem de comemorar o São João; no sertão pernambucano, agricultores fecham rodovia federal em protesto

TIAGO DÉCIMO, CORRESPONDENTE / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2012 | 03h10

A prolongada estiagem no semiárido baiano, considerada a pior em três décadas, começa a causar cancelamentos da mais tradicional festa do interior da Bahia, o São João, comemorado anualmente em todos os 417 municípios do Estado.

Dos 231 municípios que decretaram situação de emergência por causa da seca - 215 tiveram a situação reconhecida pelas administrações estadual e federal -, 20 já anunciaram o cancelamento das festas e 17 informaram que pretendem reduzir o número de dias e de atrações das comemorações.

Além disso, o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) orientou os gestores dos municípios atingidos pela estiagem a não ultrapassar os investimentos feitos nos anos anteriores para a festa deste ano.

"A situação exige que os prefeitos atuem com cautela e coerência", avalia o presidente da União dos Municípios da Bahia e prefeito de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, Luiz Caetano.

O enxugamento do São João, considerado o segundo maior evento para o turismo no Estado, atrás do carnaval, porém, causa preocupação na Secretaria de Turismo.

"As cidades que estão enfrentando a seca correm o risco de ser duplamente penalizadas, pela falta de água e pela perda de receitas provenientes do turismo nesta época", afirma o secretário Domingos Leonelli. "Cancelamento de festa deve ser adotado apenas por prefeituras que tenham o São João como despesa - e acredito que sejam muito poucas."

Protesto. No sertão pernambucano, agricultores familiares interditaram ontem pela manhã, por duas horas, a BR-232 nos municípios de Sertânia (km 256) e Serra Talhada (km 415) para protestar pela demora das ações anunciadas pelo governo - tanto no âmbito federal como no estadual - para atender a população afetada pela seca. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, cerca de 700 pessoas participaram das duas manifestações.

Em Sertania, os trabalhadores queimaram pneus na pista para impedir o fluxo de veículos nos dois sentidos da rodovia. Em Serra Talhada, foram colocados três caminhões. Os engarrafamentos se estenderam até cinco quilômetros em cada sentido da rodovia, nos dois pontos interditados, de acordo com a POlícia Rodoviária. Não houve conflitos.

"Trabalhadores rurais sem água para beber e cozinhar", "Nossos animais estão morrendo" e "Trabalhadores exigem ações urgentes para convivência com a seca" eram algumas das mensagens estampadas em faixas durante os protestos, coordenados pela Federação dos Trabalhadores Rurais de Pernambuco (Fetape).

Segundo o presidente da entidade, Doriel Barros, as promessas governamentais ainda não se tornaram realidade. "A perda das lavouras já elevou em mais de 100% o preço do feijão, que está sendo vendido a R$ 7 nas feiras do interior", disse. Além de denunciarem a deficiência e irregularidade do fornecimento de água para consumo humano pelos carros pipas, os sertanejos também cobram as chamadas ações estruturantes - reservatórios, cisternas, poços - para convivência com a seca. / COLABOROU ÂNGELA LACERDA, DE RECIFE

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