Separatistas da Ucrânia mantêm ocupações apesar de acordo diplomático

Separatistas armados pró-Rússia no leste da Ucrânia disseram nesta sexta-feira que não são obrigados a se desarmar por nenhum acordo internacional, e que querem mais garantias sobre sua segurança antes de deixar os edifícios públicos que ocupam.

THOMAS GROVE E ALEKSANDAR VASOVIC, Reuters

18 Abril 2014 | 11h14

O acordo, mediado por Estados Unidos, Rússia, Ucrânia e a União Europeia em Genebra na quinta-feira, proporcionou a melhor esperança até o momento de uma diluição do impasse na Ucrânia.

A Ucrânia disse estar preparando uma lei para dar anistia aos separatistas, embora o esforço para desalojá-los continue.

O entendimento exige que todos os grupos armados ilegais se desarmem e encerrem a ocupação de edifícios públicos, ruas e praças, mas com a permanência dos separatistas e os manifestantes nacionalistas ucranianos não dando sinais de que irão deixar seus campos desarmados na Praça Maidan, na capital, não ficou claro qual lado está disposto a dar o primeiro passo.

Colocar o acordo em prática nos territórios será difícil, por causa da profunda desconfiança entre os grupos pró-Rússia e o governo de Kiev, apoiado pelo Ocidente, que nesta semana tiveram confrontos violentos que deixaram vários mortos.

O presidente russo, Vladimir Putin, reverteu décadas de diplomacia pós-Guerra Fria no mês passado ao declarar que seu país tem o direito de intervir em nações vizinhas e ao anexar a península da Crimeia.

A manobra se seguiu à derrubada do presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, aliado de Moscou, depois de meses de protestos nas ruas desencadeado por sua rejeição de um acordo com a União Europeia.

O fato de que se chegou a um acordo em Genebra foi uma surpresa, e não ficou claro o que aconteceu nos bastidores para persuadir o Kremlin, que havia mostrado pouca inclinação a concessões, a se juntar ao pedido de desarmamento das milícias. A Rússia rejeita acusações ocidentais e ucranianas de que vem organizando os atiradores.

Em Slaviansk, cidade que se tornou central na crise depois de ser tomada por homens com fuzis Kalashnikov, líderes dos grupos pró-Rússia se reuniram em um dos prédios ocupados para decidir como reagir ao acordo de Genebra.

Anatoly, um dos separatistas armados que assumiu o controle do quartel-general da polícia, disse: "Não vamos sair do prédio, independentemente de quais comunicados forem feitos, porque sabemos qual é a situação real no país, e não vamos sair até que nossos comandantes nos digam".

Duas aeronaves militares ucranianas sobrevoaram Slaviansk várias vezes nesta sexta. Diante da prefeitura, homens armados com rifles automáticos observavam de trás de sacos de areia, cuja altura aumentou da noite para o dia. Os separatistas mantinham o controle das principais ruas da cidade, fazendo buscas nos carros em pontos de verificação ao redor da cidade.

Na capital, Kiev, as pessoas reunidas na Praça Maidan, nome local dado à Praça da Independência, epicentro dos protestos que derrubaram Yanukovich, disseram que as barricadas serão mantidas até depois da eleição presidencial de 25 de maio.

"As pessoas não deixarão a Maidan. Deram sua palavra de que irão ficar até a eleição presidencial, para que ninguém possa fraudar o resultado. Depois iremos por nossa própria vontade", disse Viktor Palamaryuk, de 56 anos, da cidade de Chernivtsi, no oeste do país.

O primeiro-ministro, Arseny Yatseniuk, disse ao Parlamento não estar muito otimista com o acordo, mas que a Rússia foi "forçada" a pedir a rendição dos "grupos armados ilegais".

(Reportagem adicional de Stephanie Nebehay, Tom Miles, Arshad Mohammed e Catherine Koppel em Genebra, e Alexei Anishchuk em Moscou)

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