Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Setor de serviços tem queda em dezembro, mas cresce 1% em 2019, no 1º resultado positivo desde 2014

Transportes tiveram o pior desempenho no fim do ano; na comparação com dezembro de 2018, houve avanço de 1,6%

Daniela Amorim, Thaís Barcellos e Cícero Cotrim, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2020 | 09h44
Atualizado 17 de fevereiro de 2020 | 18h40

RIO e SÃO PAULO- O setor de serviços fechou 2019 com alta de 1%, interrompendo uma sequência de quatro anos sem crescimento. Apesar disso, os dados divulgados nesta quinta, 13, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram também uma perda de fôlego na reta final do ano passado. Depois de ter encolhido 0,1% em novembro, o índice apresentou retração de 0,4% em dezembro. 

“(A queda) Indica algum tipo de perda de fôlego, mas a gente não sabe se essa perda de fôlego vai se intensificar em janeiro. O saldo no ano é positivo”, afirmou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE.

No ano passado, houve melhora em quatro das cinco atividades pesquisadas. Os serviços de informação e comunicação (3,3%) exerceram o principal impacto positivo sobre a média global. Os demais avanços ocorreram no segmento de outros serviços (5,8%), serviços prestados às famílias (2,6%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (0,7%).

A única perda foi em transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-2,5%), puxados pelo mau desempenho do transporte rodoviário e ferroviário de carga. “Isso tem a ver com o momento de pouco dinamismo do setor industrial, que inclusive encerrou o ano com uma perda”, disse Lobo.

Efeito no PIB. A safra de dados econômicos em dezembro consolidou a percepção entre analistas de que a atividade perdeu tração no quarto trimestre de 2019. A expectativa era de aceleração no ritmo de crescimento da economia, impulsionada pelos saques do FGTS, pela melhora do emprego e pela expansão do crédito, ao lado dos juros baixos. A frustração sobre o impacto desses estímulos fez crescer a percepção de que o PIB de 2020 deve ficar mais próximo de 2%. 

“Os dados que estamos vendo sugerem uma desaceleração na dinâmica do PIB medido pelo IBGE entre o terceiro e o quarto trimestres”, afirmou o economista-sênior do Banco ABC Brasil, Daniel Xavier.

Para o economista-chefe da AZ Quest, André Muller, o quadro nos últimos dois meses de 2019 foi de fraqueza na atividade econômica.

“Agora acredito que o principal foco é se isso vai ocorrer também ao longo do primeiro trimestre deste ano. Para o PIB de 2020 chegar a 2,5%, é preciso que o ritmo de atividade do primeiro trimestre acelere em relação ao que vimos em novembro e dezembro”, lembrou Muller.

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