SP ganha grifes para ''mulheres maduras''

Lojas vendem roupas confortáveis e arrojadas, mas sem exageros

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

12 Dezembro 2009 | 00h00

"As calças jeans têm o gancho muito baixo", reclama Leo Gandella, de 56 anos, mãe de três filhas, que tem um certa dificuldade para encontrar roupas da moda, adequadas ao seu tipo e idade. "Não fica bem para mim, que, apesar de malhar bastante, já tenho uma barriguinha. Blusa curta também não é elegante. E minissaia não entra no meu guarda-roupa." Leo não é a única mulher a ter de bater perna para achar peças descontraídas e modernas, mas que não sejam exageradas como as que aparecem nos desfiles apresentados por tops magérrimas, de 16 anos de idade.

Apesar de ainda carente, esse segmento começa a ganhar endereços que vão facilitar a vida de consumidoras como Leo. Grife tão badalada na Itália quanto Gucci e Prada, a Missoni abriu no Shopping Iguatemi a primeira loja da rede na América Latina. Ao contrário das concorrentes italianas, no entanto, ela não é imediatamente reconhecida pelo consumidor por um símbolo específico da grife, mas pela roupa. "O zigue-zague do jacquard das peças virou marca registrada da Missoni", diz a empresária e consultora de moda Costanza Pascolato. O estilo tem muito a ver com o Brasil. As roupas são coloridas, alegres e descontraídas. "E o grande diferencial da marca é ter uma coleção que se adapta bem a mulheres maduras. Elas ficam reféns de grifes que oferecem roupas, em geral, muito estruturadas", diz Costanza.

Vestidos, túnicas e blusas de tricô, peças soltas e confortáveis, funcionam como o carro-chefe da marca, que também faz sucesso com o público mais jovem. "Ela não vende uma roupa datada, que na estação seguinte fica encostada no armário", diz a empresária Kelly Amorim, de 39 anos. "Já vi muita garota de 20 anos usando Missoni aqui no Brasil. Apesar de descontraída, a roupa é chique e pode ser usada tanto no trabalho como numa festa." O vestido mais caro da loja, de jacquard de seda e cristais Swarovski, sai por R$ 12.262, e a peça mais em conta, uma blusa de linho de algodão, R$ 590. "A Missoni é uma marca para uma mulher que tem mais curvas, que não é esquálida."

Pensando nesse nicho, a grife carioca Rudge abriu sua primeira loja no Shopping Vila Olímpia, na zona sul. "Sempre tive muitas clientes paulistas que compram no Rio. E elas diziam que precisavam de uma loja como a minha aqui na capital paulista", diz a estilista e proprietária da marca, Ana Maria Rudge, de 58 anos. "Faço roupas usáveis. São peças modernas, mas sem exageros. A moda hoje está juvenil demais. Algumas coisas que vejo nos editorias de moda são até teatrais, nem minhas filhas querem usar."

Vestido de viscose, macacão tomara que caia de malha com cinto de cetim, e kaftan são algumas das opções disponíveis na butique. "Uso o kaftan com saída de praia, porque saio pronta para ir para qualquer lugar", diz Leo, que é cliente da marca há vários anos. Os kaftan da Rudge custam de R$ 500 a R$ 1 mil reais. Há batas de algodão e viscose a partir de R$ 100.

Se comprar peças básicas, como calça jeans e camisa branca, pode ser um problema para quem quer apenas o convencional, sem grandes invenções, achar roupas mais elaboradas é ainda mais difícil. Há grifes nacionais, veteranas no mercado, como Cris Barros, que conseguem transitar entre todas as idades. É possível achar na loja vestidos de todos os comprimentos, do mais curto ao mais longo. E mesmo em estilo romântico, muito típico da marca. Nas araras ainda encontram-se artigos mais básicos, para uma mulher que trabalha e quer estar na moda - sem parecer uma adolescente.

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