Subsecretário de governo do Rio atropela quatro pessoas

O subsecretário de Governo da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Alexandre Felipe Mendes, de 44 anos, que até fevereiro integrava a equipe da Operação Lei Seca, atropelou quatro pessoas após sair de uma festa, ontem à noite, em Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, no Rio. Na delegacia, Mendes admitiu ter bebido "meia taça de vinho". O subsecretário, que foi assessor parlamentar do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), na Assembleia Legislativa e no Senado, será indiciado por lesão corporal culposa.

TIAGO ROGERO, Agência Estado

26 de agosto de 2011 | 18h57

Entre as vítimas estão dois meninos, com idades de 2 e 5 anos, que deixavam a casa da tia com a mãe, Silvana Braga de Souza, de 30 anos. Os garotos foram atendidos pelos bombeiros, ainda no local do acidente. A mãe chegou a desmaiar e teve de ser levada para para o hospital, sendo liberada em seguida. Ermínio Cosme Pereira, de 52 anos, que passava pelo local de bicicleta, sofreu traumatismo cranioencefálico e cervical e foi levado para o Hospital Estadual Azevedo Lima. Segundo a secretaria de Saúde, o estado dele é gravíssimo.

Um jovem de 19 anos também foi atingido, de raspão. Após o acidente, Mendes não prestou socorro às vítimas. Ele se apresentou apenas hoje à tarde na 81ª Delegacia de Polícia, em Itaipu, onde o caso está sendo investigado. "Bebi apenas meia taça de vinho. Peguei o carro por volta das 22h30 e ia para minha casa quando fui surpreendido por uma bicicleta e perdi o controle do veículo", disse.

O advogado do subsecretário, José Maurício Ignácio, classificou o acidente como "uma fatalidade". "Ele não é de beber, de fumar. Tinha passado na casa de amigos e me disse ter tomado apenas uma ''tacinha'' de vinho. A bicicleta apareceu e entrou na frente dele, bateu no carro. Estava muito escuro, ele usa óculos, o local é cheio de buracos e o carro é hidramático".

Segundo o delegado Carlos Alexandre, da 81ª DP, o exame no Instituto Médico Legal, feito hoje à tarde, não indicou a presença de álcool no sangue de Mendes. "Talvez pelo tempo que se passou desde o episódio ou a quantidade de bebida ingerida que, segundo ele (Mendes), foi pequena", disse.

O advogado afirmou que Mendes deixou de prestar socorro devido ao estado de choque. "Ele perdeu o pai há uma semana. As pessoas começaram a se aproximar e o lugar é muito deserto. Chegou um policial, se identificou, pegou o documento dele, e nisso apareceu uma outra pessoa, que recolheu ele e o levou para o hospital. No caminho, ele disse que não queria ir à unidade, mas para casa, e começou a chorar", disse Ignácio, que afirmou não saber quem era a "pessoa" que tirou Mendes do local do acidente.

Em nota, o Governo do Estado, que chegou a afirmar que o subsecretário havia atropelado somente uma pessoa, informou que "cabe ao subsecretário responder como todo cidadão comum. O governo lamenta profundamente o ocorrido".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.