Suspensão de exploração pode ser prolongada

Produção no Campo de Frade pode continuar interrompida; amanhã, o governo avalia novo relatório da Chevron

MARTA SALOMON / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

20 Março 2012 | 03h01

O governo avalia prolongar a interrupção da exploração de petróleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos. A produção está interrompida a pedido da multinacional Chevron desde sexta-feira, por medida de segurança. Novo relatório da operadora será avaliado em reunião, amanhã.

No primeiro vazamento registrado no Campo de Frade, em novembro, a possibilidade de suspender a exploração de petróleo não foi cogitada, porque as informações disponíveis apontavam que a retirada do óleo aliviaria a pressão do reservatório. A continuidade da exploração seria, portanto, oportuna para evitar novos vazamentos.

Diante da fissura de 800 metros encontrada no fundo do oceano, onde foram constatados nove novos pontos de vazamento - e sobretudo por conta da fragilidade do terreno nessa região da Bacia de Campos -, o governo entendeu que a melhor medida, por segurança, seria suspender a produção no Campo de Frade.

As condições de eventual retomada da produção não estão definidas. Até semana passada, o Campo de Frade produzia 61,5 mil barris por dia. E a expectativa da Chevron era explorar o campo até 2025. O Estudo de Impacto Ambiental do empreendimento estimou as reservas totais do campo em 66,8 milhões de metros cúbicos de óleo e 4,2 bilhões de metros cúbicos de gás.

"Não temos todos os elementos por enquanto. Pode ter sido um problema na operação ou um problema maior. O que precisamos é ter convicção do que está acontecendo", disse ontem o secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Marco Antonio Martins Almeida, que participa do debate no governo.

A Agência Nacional de Petróleo (ANP) informou que, por ora, "não há elementos que indiquem tendência de aumento do vazamento no Campo de Frade". A agência coordena um comitê de técnicos formado para estudar os acontecimentos na região. Não foram encontrados indícios de problemas no campo vizinho, de Roncador.

A licença para a exploração de petróleo e gás concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estabeleceu prazo mínimo de 30 dias para o início da desativação do Campo de Frade. A licença foi renovada à Chevron até junho de 2013.

O pedido da Chevron de suspender a exploração foi feito na tarde da quinta-feira passada à ANP e foi acatado pela agência no dia seguinte.

Poços horizontais. Os estudos de impacto ambiental do empreendimento foram feitos pela empresa Ecologus Engenharia Consultiva, contratada pela Chevron. De acordo com o estudo, disponível no endereço eletrônico do Ibama, a empresa optou por perfurar poços horizontais à superfície do mar para aumentar a produção do campo.

A tecnologia dos poços horizontais "tem sido recomendada por aumentar consideravelmente a taxa de produção, uma vez que aumenta a área de contato entre o poço e o reservatório, favorecendo maior penetração do óleo na tubulação do poço", afirma o documento.

A operação licenciada prevê também a reinjeção de água extraída junto com o petróleo no reservatório, no fundo do mar. O estudo afirma que um eventual vazamento poderia ter seus efeitos contidos. Os impactos foram considerados "pouco significativos". A Chevron explora o campo desde 2008, em parceria com a Petrobrás (30%) e a Frade Japão Petróleo Ltda. (18,3%). O campo tem 273 quilômetros de extensão.

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