Unifesp testa implante para corrigir 'vista cansada'

Estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) pretende avaliar a eficácia de uma microlente de apenas três milímetros de diâmetro implantada dentro da córnea para corrigir a presbiopia, conhecida como vista cansada. O problema, que dificulta a leitura e faz com que a pessoa afaste cada vez mais o livro para conseguir enxergar, por exemplo, afeta cerca de 85% das pessoas com mais de 40 anos.

EQUIPE AE, Agência Estado

20 de novembro de 2012 | 10h09

O produto, chamado Flexivue Microlens, da marca Presbia, já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e submetido a um estudo com cinco pacientes no Hospital de Olhos Paulista (H.Olhos). Agora, o oftalmologista Mauro Campos, coordenador da Pós-Graduação em Oftalmologia da Unifesp, pretende comparar a nova técnica com o uso de lentes descartáveis comuns. Já foram recrutadas 80 pessoas para participar da pesquisa. "O objetivo é ver com qual das duas a pessoa se sente melhor", explica Campos. Dos 80 voluntários, 40 receberão a microlente e 40 utilizarão uma lente comum.

Nos meses seguintes, eles serão submetidos a métodos de análise da visão qualitativos e quantitativos, incluindo um questionário de satisfação e qualidade de vida relacionada ao desempenho da visão em tarefas cotidianas. Durante um ano, as visitas ao oftalmologista serão mensais e a avaliação deve terminar em julho de 2013. Até agora, 28 pacientes já foram operados. O quadro de presbiopia ocorre quando o cristalino, que é um tipo de lente interna do olho, perde a flexibilidade e a capacidade de ajustar o foco das imagens vistas de perto. A nova técnica em teste prevê que a microlente seja inserida por meio de cirurgia no interior da córnea, parte externa do olho.

A inserção é feita com o auxílio de laser, que abre um "bolso" na córnea, por onde o pequeno disco é inserido. O bolso se fecha naturalmente após o procedimento, mantendo a lente fixa. Os raios de luz que entram pela região periférica da lente, então, passarão a ser corrigidos para que o foco se ajuste à retina. Assim, os objetos próximos passam a ser vistos com maior nitidez. Caso o paciente não se adapte, a lente pode ser retirada com nova cirurgia. Apenas um olho é submetido à técnica. "Existe um grande ganho de visão. A média é de um ganho superior a 50% para perto", diz Mauro.

Para se submeter à técnica, é preciso fazer um exame oftalmológico padrão para cirurgia na córnea e ter, no máximo, 4 graus de hipermetropia. O preço da cirurgia, que dura cerca de 10 minutos, é em média R$ 8 mil - uma cirurgia de correção de miopia a laser, por exemplo, custa cerca de R$ 3,5 mil cada olho. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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