Foto do(a) page

Conheça o Espaço Aberto na editoria de Opinião do Estadão. Veja análises e artigos de opinião em colunas escritas por convidados e publicadas pelo Estadão.

Opinião|O agronegócio precisa de mais que soluções pontuais

Há necessidade de uma política agrícola que seja mais estruturante para o campo e o produtor

Atualização:

O setor produtivo tem recebido, ultimamente, mais um sinal de socorro dos órgãos governamentais. Seja no amparo aos produtores de leite, seja no apoio aos exportadores, cooperativados e pequenos e médios agricultores e pecuaristas, os recursos, muitos emergenciais, começam a chegar para atender a situações pontuais. É uma ação importante, mas que, por si só, não irá garantir a sustentabilidade da produção nem a garantia da renda.

Sabemos que as mudanças climáticas já afetam o mundo há muitos anos. São períodos de longa estiagem, muitas vezes quando os produtos estão em formação, ou de intensas chuvas, que prejudicam o desempenho de inúmeras culturas. Esse desequilíbrio, que deve se intensificar ao longo das próximas décadas, exige mais do que soluções pontuais. É preciso que os produtores tenham a tranquilidade de saber que conseguirão tirar seu sustento do que foi plantado e será comercializado. É necessário dar segurança ao produtor para que ele possa viver e reinvestir na melhoria da sua produção.

É necessária a criação de mecanismos que garantam isso. Sabemos que os preços dos insumos estão pressionando os produtores, que, em contrapartida, veem alguns preços muito baixos na hora de vender a colheita. A margem de lucro, principalmente dos pequenos e médios produtores, está muito reduzida. A ajuda que chega agora alivia, mas não é capaz de garantir que no próximo ano o preço seja recomposto e que a grande maioria de quem vive do campo possa respirar tranquilamente.

O Brasil é reconhecido por sua capacidade de produção de alimentos e é um dos principais players mundiais. O agronegócio é o grande responsável pelos superávits da balança comercial e responde por parte significativa do Produto Interno Bruto (PIB) do País. O investimento no campo reverbera em toda uma cadeia de trabalho que inclui o setor de transportes, o processamento e muitas outras áreas, gerando renda para milhões de famílias.

A Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) defende uma política agrícola que seja mais estruturante para o campo e o produtor. É preciso pensar em novas ferramentas que garantam um seguro mais próximo à realidade dos agricultores, buscar novas regras de financiamento rural que não estrangulem os produtores e permitam o crescimento sustentável não apenas da produção, mas também da área a ser cultivada.

Pela importância do segmento, há que buscar mecanismos que levem tranquilidade e segurança ao campo. A Faesp sempre se colocou à disposição para buscar medidas que não sejam apenas emergenciais. Juntos, poderemos garantir que o Brasil amplie ainda mais a sua participação no comércio mundial de alimentos, atendendo aos padrões de qualidade que sempre foram uma marca do País. Mas é preciso começar este trabalho de construir mecanismos de atenção ao produtor rural o mais breve possível, para que o agronegócio tenha cada vez mais força na construção do progresso da nossa nação.

*

É PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DE AGRICULTURA E PECUÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO (FAESP)

Opinião por Tirso Meirelles

Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)