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Opinião|Um aniversário a ser comemorado

Neste 21 de fevereiro comemoramos os 80 anos da vitória da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Batalha de Monte Castelo, na Itália

O historiador Will Durant ensinava que “a história é uma excelente professora com poucos alunos”. É o caso do Brasil, onde poucos brasileiros conhecem partes importantes da nossa história. E uma dessas histórias eu aprendi com um historiador americano e quero contá-la hoje.

Sim, pois neste 21 de fevereiro comemoramos os 80 anos da vitória da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Batalha de Monte Castelo, na Itália.

A conquista de Monte Castelo era considerada decisiva para o rompimento da chamada Linha Gótica, importante fortificação montada pelos alemães na ocupação da Itália.

Um dos fatos interessantes descrito pela imprensa italiana era que os soldados brasileiros dividiam a própria ração com a população local. Até aí, quase todo brasileiro conhece essa história.

A parte inédita deste episódio é que o historiador americano Frank McCann conta que, no fim da Segunda Guerra Mundial, o Brasil foi convidado por Estados Unidos e Reino Unido para participar da ocupação da Áustria. Essa eventual participação, afirma o historiador, poderia ter mudado a posição geopolítica brasileira no mundo. Afinal, por que este convite ao Brasil?

É importante esclarecer que o Brasil foi o único país da América do Sul que contribuiu com tropas na Segunda Guerra Mundial. Nós enviamos 25 mil soldados para o teatro do Mediterrâneo, desempenhando um papel muito relevante.

No final da guerra na Europa, as tropas brasileiras capturaram mais de 20 mil prisioneiros de guerra do Eixo e mataram quase mil homens em ação. Dentre estes, os brasileiros prenderam e receberam a rendição de 2 generais e cerca de 800 oficiais. A maioria dos prisioneiros era da 148.ª Divisão de Infantaria do Exército da Alemanha, além de integrantes da 90.ª Divisão Panzer Grenadier e de italianos da Divisão Bersaglieri (San Marco e Monte Rosa). Foi a única unidade alemã a render-se integralmente no teatro de operações do norte da Itália, antes do armistício de 2/5/1945.

Reforçando, o Brasil sediou em Natal a maior base aérea dos Estados Unidos fora de seu próprio território e, no Recife, a Quarta Frota dos Estados Unidos. Isso enquanto a Argentina flertava com os nazistas e o México permanecia alheio e até hostil às necessidades dos Estados Unidos.

É claro que é difícil de especular o que teria acontecido se o Brasil tivesse aceitado aquele convite, mas eu não tenho dúvidas de que isso teria aumentado o prestígio brasileiro. Poderia ter mudado a discussão sobre uma cadeira permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU. Isso porque o Brasil, de aliado, passaria a fazer parte das forças de ocupação.

Enfim, essa parte da história, praticamente ignorada pelos brasileiros, comprova que a maneira mais eficaz de baixar a estima das pessoas é negar e obliterar sua própria compreensão de sua história.

Os brasileiros precisam ser mais altivos em relação ao papel do Brasil na geopolítica mundial. Como hoje, sendo um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, o que garante ao País uma presença notável em cerca de 200 países.

A história é um mapa cronológico que nos mostra não apenas de onde viemos, mas também onde estamos e como chegamos até aqui. E também permite vislumbrar para onde iremos no futuro.

Assim, seja pelo esforço e pela participação de um pracinha na Itália ou por um agricultor nos dias de hoje, a história também pode ser uma profetisa. Pode ser a certa previsão de o Brasil ser um ator importante reconhecido no cenário mundial, muito mais do que as bobagens internas praticadas pelos nossos governantes.

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EMPRESÁRIO RURAL, FOI MINISTRO DA AGRICULTURA E REFORMA AGRÁRIA

Opinião por Antonio Cabrera

Empresário rural, foi ministro da Agricultura e Reforma Agrária