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Tembi’u Guarani: livro com 25 receitas ancestrais de aldeia no interior de SP é lançado

Escrito pela professora e ativista Ará Mirim, a obra registra preparos que carregam os sabores e a história de seu povo

Foto da professora e ativista Ará Mirim Yvoty. Foto: eduardo_sardinha_17Foto da professora e ativista Ará Mirim Yvoty. Foto: eduardo_sardinha_17
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Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Gerando resumo

“Para os Mbya guaranis, o alimento é uma dádiva do criador. A escolha da terra e o tempo certo de plantar, de colher e de celebrar. Não separaram o que é do corpo daquilo que é do espírito”.

A citação acima está presente na introdução do livro ‘Tembi’u Guarani: culinária indígena’, uma obra cujo objetivo é registrar 25 receitas tradicionais do povo Mbay guarani que contam um pouco da história e da cultura desse povo. O projeto nasceu como uma parceria entre o Instituto Família Barrichello (IFB) e a professora e ativista, Ará Mirim Yvoti.

Nascida no estado do Paraná, Ará se mudou para São Paulo há cerca de 40 anos, se estabelecendo na aldeia Takuari, localizada cerca de 40 km do município de Eldorado paulista. A motivação para criar um livro de receitas veio da vontade de criar um registro escrito da cultura gastronômica de seu povo e transmitir esse conhecimento para as novas gerações.

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Ao passearmos pelas páginas da obra, encontramos diversos pratos selecionados a dedo por Ará. Seu critério era simples: ‘coloquei no livro tudo que eu gosto’.

Entre os preparos que nos são apresentados, encontramos desde as receitas mais simples até as mais inusitadas, como um belo Pindo’a Guapytã (suco de jerivá) ou um delicioso prato de Mandi’o Komanda Reve (Mandioca com feijão).

Capa do Livro Tembi'u Guarani Foto: Tembi'u / Divulgação

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A gastronomia rodeia a vida da professora há algum tempo. Durante a infância, ela gostava de acompanhar os preparos que eram feitos por seus familiares, o que influenciou-a diretamente durante todo o processo de escrita e curadoria das receitas.

Além de todos os sabores presentes nos pratos, Ará também valoriza o forte aspecto espiritual de cada um dos ingredientes, como o milho, a mandioca e o feijão. Segundo os ensinamentos da cosmologia guarani, eles devem ser preparados com sabedoria divina e amor infinito.

“Esses alimentos são a base da nossa alimentação, é o que fortalece nosso corpo, nossa alma, nossa espiritualidade. A gente precisa pedir permissão para pegar uma fruta ou para poder preparar os alimentos que serão consumidos na aldeia no coletivo, em um momento, a gente se reúne para poder agradecer pelo alimento que cresceu ali para nos manter”.

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O livro completo já está disponível para a aquisição do público e contará com eventos de lançamento espalhados pela cidade de São Paulo e arredores, que visam aproximar os visitantes com a riqueza da culinária indígena. Confira as datas:

  • 13 de agosto, às 19h - Escola da Cidade - Rua General Jardim, 65 – Vila Buarque – São Paulo (SP)
  • 15 de agosto, às 10h - CECI Aldeia Tekoá Pyau - Rua Comendador José de Matos, 386 – Jaraguá – São Paulo (SP)
  • 17 de setembro, às 10h - Escola Mario Quintana - Rua Ismael Manoel da Silva – Jardim Las Vegas – Guarulhos (SP)
  • 19 de setembro, às 10h - CEI Ermelino Matarazzo - Rua Rainha do Bosque, 210 – Vila Santa Inês – São Paulo (SP)

“Nossos antepassados transmitiam esses conhecimentos pela oralidade. Registrar essas receitas é uma forma de garantir que nossa cultura e nossa história continuem vivas para as próximas gerações”, declarou Ará Mirim.

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O início da trajetória na escrita

Ará Mirim, da aldeia Takuari Foto: Eduardo Sardinha / Divulgação

Desde que deixou o Paraná, há cerca de 40 anos, Ará descobriu que as respostas para a continuidade da luta de seu povo estavam na educação. Apesar de, na época, ter pouco conhecimento sobre a língua portuguesa, a futura professora tomou a difícil decisão de seguir com os estudos.

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Foi graças à toda essa luta que Ará conseguiu uma bolsa para estudar letras de forma remota. Junto ao ingresso na vida acadêmica, ela viu a oportunidade de usar o conhecimento como arma para lutar pelos direitos dos povos indígenas do Brasil, que segundo estudos recentes, somam mais de 1,7 milhões de pessoas.

Foi nesse contexto que surgiu a oportunidade de parceria com o IFB para criar um dossiê completo com as receitas tradicionais do povo Mbya. Para Ará, esse interesse era particularmente especial pois dava a chance de criar um registro escrito para as próximas gerações, além de incentivar o estudo dos jovens.

Refeição feita na aldeia Takuari, no interior de São Paulo Foto: eduardo_sardinha_17

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“Eu descobri que a história do meu povo era linda quando eu aprendi a ler e escrever. Eu descobri que o conhecimento é lindo, é poesia”.

“É para isso que a gente tá formando nossos jovens: para poder defender o nosso território, porque agora a luta não é mais com armas, agora a luta é com a caneta e papel.”

Assim que o livro começou a ser produzido, Ará passou a compilar receitas que aprendeu observando seus familiares cozinharem. O critério, segundo ela, era simples: ‘escolhi tudo que eu gostava’. Além dos sabores, os ingredientes foram selecionados cuidadosamente, visando preservar o significado cultural, histórico e espiritual de cada um deles.

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