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PF abre inquérito sobre compra de térmicas no governo FHC

Investigação da Operação Lava Jato mira em suposto esquema de corrupção em negócios da Petrobrás entre 1999 e 2001, segundo delação do ex-diretor da estatal Nestor Cerveró

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Foto do author Fausto Macedo
Por Julia Affonso,Ricardo Brandt,Fausto Macedo e Mateus Coutinho

 

Edifício da Petrobrás, no Rio. Foto: André Dusek/Estadão

A Operação Lava Jato investiga um suposto esquema de corrupção na compra de termoelétricas pela Petrobrás, no período de 1999 a 2001 (Governo FHC). A Polícia Federal abriu inquérito para apurar a aquisição envolvendo as empresas Alsotm/GE e NRG.

A investigação parte da delação do ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró, que, na década de 1990, era gerente de energia do Departamento Industrial da estatal petrolífera.

 

 

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PARTE 2

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RESUMO EXECUTIVO

O delator narrou que, em 1997, 'se vislumbrou a possibilidade de uma crise energética no Brasil' e que a Petrobrás começou a negociar o desenvolvimento de térmicas.

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Ele apontou o ex-senador e ex-líder do Governo Dilma no Senado, Delcídio do Amaral (ex-PT/MS), que, na época, exercia a função de diretor da Petrobrás.

"Em 1999, Delcídio do Amaral assumiu uma das Diretorias da Petrobrás, denominada provisoriamente Diretoria de Participações; que Delcídio do Amaral chamou o declarante para trabalhar com ele na Diretoria de Gás e Energia da Petrobrás; que, em fevereiro de 2000, o presidente da República Fernando Henrique Cardoso criou um programa prioritário de termoelétricas (PPT), para geração de energia por meio de termo elétricas para enfrentar a crise conhecida como 'apagão'", relatou Cerveró.

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O VÍDEO DA DELAÇÃO DE CERVERÓ SOBRE PROPINAS DA ALSTOM:

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Cerveró afirmou que a primeira empresa a fornecer turbinas para a Petrobrás para construção e exploração de termoelétricas foi a ABB, em 1999, posteriormente adquirida pela Alstom, depois adquirida pela GE.

"Nessa primeira aquisição de turbinas já houve o pagamento de propina; que a propina foi negociada com o representante da ABB no Rio de Janeiro", afirmou Cerveró.

"Se acertou o pagamento de uma propina de US$ 600 mil a US$ 700 mil para o próprio declarante e um valor um pouco menor, do qual o declarante não tem conhecimento, aos funcionários que trabalhavam com o declarante na Petrobrás; Que foi nessa época que o declarante abriu uma conta na Suíça para receber propina; Que os valores destinados ao declarante foram recebidos nessa conta na Suíça."

COM A PALAVRA, O EX-PRESIDENTE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

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Por meio de sua assessoria de imprensa, Fernando Henrique Cardoso informou. "O Presidente não tem informações sobre este inquérito, mas sempre é favorável que denúncias sejam apuradas."

COM A PALAVRA, A GE/ALSTOM

Por meio de sua assessoria de imprensa, a GE informou que não foi notificada sobre esse inquérito. A empresa não vai comentar, já que não comenta nenhum tipo de especulação.

COM A PALAVRA, HENRI PHILIPPE REICHSTUL

O executivo Henri Philippe Reichstul, que presidiu a Petrobrás entre 1999 e 2001, declarou: "Face às declarações de Nestor Cerveró me parece absolutamente necessário que se faça uma apuração rigorosa dos fatos".

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