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Quatro do Bonde do Maluco são presos por extorsão via Pix de autoridades que acessavam pornografia

Criminosos de grupo ligado ao PCC atraíam usuários pelo Telegram e cobravam dinheiro para não expor vítimas, apontam investigações da Polícia Civil do DF na Operação Cyber Shield; bases de dados sigilosas do sistema de Segurança Pública teriam sido usadas pela quadrilha

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Por Rayssa Motta
Atualização:
Suspeitos vão responder por organização criminosa, extorsão, invasão de dispositivo informático e lavagem de dinheiro. Foto: Divulgação/Polícia Civil do DF.

Quatro homens envolvidos com a facção Bonde do Maluco (BDM), coligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), foram presos temporariamente nesta quinta-feira, 28, em uma investigação sobre um esquema de extorsão na internet. Um quinto suspeito está foragido.

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A investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal revelou que a quadrilha criava grupos no Telegram e, para atrair as vítimas, anunciava pacotes de conteúdo sexual. O passo seguinte era extorquir os usuários que acessaram as publicações. Os criminosos exigiam transferências sucessivas, via Pix, para não expor as vítimas. Os valores chegavam a R$ 20 mil, segundo apurou a reportagem.

“Os autores atraiam as vítimas por meio do Telegram vendendo pacotes ou supostos pacotes de conteúdo adulto. A vítima, ao comprar esse pacote, deixava registrados seus dados bancários. A partir daí, usando data brokers, os criminosos tinham acesso aos dados pessoais das vítimas e passavam assim a ameaçá-las de divulgar esses dados na internet se não houvesse o pagamento”, explica o delegado Eduardo Fabbro, que coordena a investigação.

Autoridades públicas e familiares foram alvo do golpe. A Polícia Civil mantém em sigilo as identidades e os cargos que ocupam. O Estadão apurou que os investigadores tratam as informações como sensíveis e têm dispensado cuidado adicional para não expor as vítimas.

A Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos descobriu, ao longo da investigação, que os criminosos chegaram a acessar bases de dados sigilosas do sistema de Segurança Pública para identificar vítimas em potencial.

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Além das prisões, os policiais envolvidos na Operação Cyber Shield também fizeram buscas em cinco endereços em Feira de Santana (BA), Salvador (BA) e São Paulo (SP). O Ministério da Justiça colabora com a investigação.

Os suspeitos vão responder por organização criminosa, extorsão, invasão de dispositivo informático e lavagem de dinheiro.

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