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Opinião|Profissão de fé de Pedro II

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Atualização:

A “Fé de Ofício” redigida em Cannes em abril de 1891 e corrigida pelo Imperador Pedro II autoriza concluir que o monarca se preocupou com as urgências brasileiras da época. Muitas das quais, sobreviveram até este Século 21, que se previra como a era da resolução dos mais graves problemas que angustiam a humanidade, em sua caminhada por este planeta.

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O Imperador pensava no Judiciário: “Provimento ao primeiro lugar de magistratura com concurso perante o Tribunal Judiciário, para formar lista dos mais habilitados, donde o governo pudesse escolher. Concurso também de habilitação para os lugares de administração. Categorias de presidências para que se habilitassem os que deviam regê-las, conforme a importância de cada uma”.

Algo que o Brasil, definitivamente, não aprendeu e que era compromisso de Pedro II: “Sempre procurei não sacrificar a administração à política”.

Preocupado com os próprios estatais, o Imperador pensava também na questão da moradia: " Nunca me descuidei da sorte física do povo, sobretudo em relação à habitação em lugares salubres e a preço cômodo, e à sua alimentação. Nunca deixei de estudar um só projeto, discutindo com seus autores e procurando esclarecer-me”.

Embora Imperador, nascido numa Corte repleta de áulicos, Pedro II tinha consciência de ser o primeiro servidor do povo: “Meu dia era todo ocupado no serviço público, e nunca deixei de ouvir e falar com quem quer que seja. Lia todos os jornais e diários da capital e alguns das províncias, para tudo conhecer, como era possível, e mandava fazer extratos nos das províncias, dos fatos mais importantes que se ligavam à administração e sempre com a ideia constante de justiça a todos. Assistia a todos os atos públicos para poder ver e julgar por mim mesmo”.

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Ainda assim, havia lugar para a cultura e para as artes: “Sempre gostei muito do teatro, dramático e lírico, cogitando sempre na ideia de um Teatro Nacional. Nunca me esqueci da Academia de Belas Artes, escultura, desenho, gravura, e sempre fiz tudo pelo Liceu de Artes e Ofícios”.

O Imperador sabia que a educação é a chave para a resolução de todos os problemas nacionais. Por isso queria criar muitos liceus e incentivava a realização de seminários, congressos e cursos de extensão. Era um admirador da ciência e da tecnologia: “Sempre me interessei pelas expedições científicas, desde a do Ceará, que publicou trabalhos interessantes, lembrando-me agora dos de Agassiz, e de alguns outros que ilustraram nossos patrícios no continente europeu”.

Queria criar um Instituto Cultural e Científico nos moldes do Collège de France e encarregou Silva Costa e outros, da elaboração de um Projeto e de Estatutos. Sua presença constante era concreto incentivo à disseminação do conhecimento: “Sempre procurei animar palestras, sessões, conferências científicas e literárias, interessando-me muito pelo desenvolvimento científico dos escolas práticas de agricultura e zootecnia preocupavam-me sempre”.

As dimensões continentais do Império o levaram a pretender o desenvolvimento do transporte fluvial: queria estabelecer “a circulação no Brasil por água, desde o Amazonas até o Prata, e da foz do Rio São Francisco até o mesmo ponto, como do porto do Recife, ligando-se esse sistema de comunicações até o Chile, e daí alcançando, pelas estradas de ferro dos Andes, as bacias do Prata e Amazonas”.

Essa “Profissão de Fé” constitui, também, - e principalmente - uma “Confissão de Amor”. Tudo o que almejava para o Brasil, ele considerava “devaneios”, “cujo estudo tanto me tem consolado, preservando-me, igualmente, das tempestades morais. Mas ainda tenho muito que refletir sobre o que há de por fim aparecer e Deus queira que aproveite à minha terra. Basta de falar de mim”.

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Não seria interessante que os governantes e candidatos a tanto, não elaborassem também uma “Profissão de Fé”, para que o povo pudesse conhecer melhor seus propósitos e depois cobrar sua observância no exercício do Poder?

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José Renato Nalinisaiba mais

José Renato Nalini
Reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e secretário executivo de Mudanças Climáticas de São Paulo
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