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Opinião|Quando a saúde mental se revela através do adoecimento físico

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Em um mundo onde as demandas externas frequentemente se sobrepõem às nossas necessidades internas, a narrativa recente de Celine Dion e Justin Bieber emerge como um poderoso lembrete da complexa teia entre emoção e corporeidade. Dion, após a perda de René Angélil, seu marido e parceiro de longa data, enfrentou não apenas o luto, mas uma consequente síndrome da pessoa rígida, desafiando a noção de que o corpo e a mente operam independentemente.

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Similarmente, Justin Bieber, uma superestrela global pressionada pelo peso das expectativas e turnês exaustivas, manifestou uma paralisia facial num momento de aparente saturação emocional e física. Ambos os casos iluminam uma verdade profundamente humana: quando a pressão se torna insustentável ou o trabalho perde seu significado, o corpo fala através de uma linguagem de doença, uma somatização de emoções reprimidas.

Essas histórias não são meros incidentes isolados, mas um eco de um fenômeno mais amplo, onde o adoecimento psicossomático se revela como um grito do corpo por reconhecimento, compreensão e mudança. Elas nos convocam a repensar a forma como vivemos e trabalhamos, desafiando a perpetuação de um ciclo onde o silêncio emocional precede a fala patológica do corpo.

Na celebração do Dia Mundial da Saúde, é oportuno revisitar e aprofundar nossa compreensão sobre a interrelação entre saúde mental e física, um tema que tradicionalmente foi abordado de maneira segregada nos domínios médicos e científicos. Essa abordagem fragmentada tem obscurecido o entendimento essencial de que o bem-estar emocional e físico são entidades inseparáveis, cujas influências recíprocas fundamentam a saúde holística do indivíduo.

As práticas das medicinas tradicionais ao redor do mundo, como a Medicina Tradicional Chinesa e seu foco no Qi, refletem uma visão holística da saúde que naturalmente integra o bem-estar emocional e físico. A psicossomatização, fenômeno pelo qual sofrimentos emocionais se manifestam como sintomas físicos, reforça a necessidade de abordagens de tratamento que considerem a pessoa em sua totalidade.

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A física quântica, particularmente através da experimentação da fenda dupla, desafia a noção de separação, demonstrando como a observação pode influenciar o comportamento das partículas em um nível fundamental. Este fenômeno quântico propõe uma analogia intrigante para a saúde, sugerindo que a percepção e interpretação podem afetar significativamente a realidade física, incluindo o estado de saúde.

A neurociência, por sua vez, fornece suporte empírico para essa perspectiva integrada, evidenciando como o estresse crônico pode modificar a estrutura e a função cerebral, com repercussões adversas sobre o sistema imunológico e aumentando a vulnerabilidade a enfermidades físicas. Pesquisas revelam que a exposição prolongada ao estresse está associada a alterações na expressão de citocinas inflamatórias, conforme demonstrado em estudos publicados na revista “Psychoneuroendocrinology”, evidenciando a conexão direta entre saúde mental e física. Em sentido análogo, a Revista “Brain, Behavior, and Immunity” ilustrou o impacto negativo do estresse na imunidade, circunstância essa envolvida em uma série de doenças como o câncer e as manifestações neurodegenerativas.

Essas descobertas enfatizam a importância de uma abordagem terapêutica que contemple simultaneamente os domínios mental e físico, promovendo um tratamento que não apenas almeje a resolução de sintomas, mas também a harmonização entre mente e corpo, um binômio que não comporta separação. Diante dessas evidências, torna-se imperativo que a medicina moderna avance em direção a uma prática mais holística e integrada, reconhecendo a interconexão mente-corpo como um princípio fundamental no diagnóstico e tratamento de doenças.

A adoção de estratégias terapêuticas que incorporam essa compreensão mais integral do ser humano pode melhorar significativamente os desfechos de saúde, enfatizando a necessidade de um cuidado que priorize o equilíbrio emocional como componente crucial do bem-estar geral. Nesse sentido, as lições da física quântica, os avanços da neurociência e o conhecimento hoje científico sobre abordagens de medicina tradicional, podem fornecer uma base sólida para a evolução de práticas médicas que abracem plenamente a complexidade da experiência humana.

A urgência em integrar abordagens médicas e políticas de saúde, combinando avanços neurocientíficos com práticas curativas tradicionais, projeta um futuro de cuidados de saúde mais eficazes e empáticos. Esta sinergia visa um bem-estar holístico, fomentando inovações terapêuticas e preventivas em um contexto que reconhece saúde como um estado completo de bem-estar físico, mental e social. Simultaneamente, combater o estigma da saúde mental é crucial para promover um entendimento e prática de saúde que valorize de igual maneira o bem-estar mental e físico, desmantelando barreiras que diminuem a importância do sofrimento emocional.

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Foto do autor Luciana Veloso Baruki
Luciana Veloso Barukisaiba mais

Luciana Veloso Baruki
Coordenadora estadual da Fiscalização do Trabalho Infantil no Ministério do Trabalho em São Paulo, administradora de empresas (FGV), advogada, mestre e doutora em Direito, médica, pós-graduanda em Saúde Mental e Psiquiatria. Idealizadora e produtora do perfil @assedionet nas redes sociais, que tem por objetivo apoiar as vítimas e ajudar organizações no processo de investigação e apuração de responsabilidades em matéria de assédio e discriminação
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