Análises da informação e do discurso, para além da espuma

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Eleição vira disputa de quem se sujou menos com a lama do caso Master

Petista dirá que Jaques Wagner não é Lula, para isolar o presidente do amigo, e bolsonarista afirmará que Flávio não recebeu propina, só investimento do banqueiro no filme do pai

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Foto do autor Carlos Andreazza

"Jaques Wagner aproxima cada vez mais Vorcaro do Planalto", diz Andreazza

No “Estadão Analisa” desta segunda-feira, 22, Carlos Andreazza fala sobre o Caso Master e sua influência na disputa eleitoral de 2026. Crédito: Estadão

O caso Master estabeleceu a lama como arena para a disputa eleitoral. Em curso a peleja por impor a própria versão sobre quem estará mais enredado na teia vorcárica, reivindicada já a vantagem de ser daquele grupo político com menos tentos no placar de contaminação por Daniel Vorcaro.

Já era sabido que Jaques Wagner, expressão maior do petismo baiano, deitara-se na rede vorcárica. Não se sabia a que custo e com que extensão – segundo a Polícia Federal, tal e qual o de Ciro Nogueira, configurado outro mandato parlamentar instrumentalizado a serviço de interesses privados do banqueiro.

Fachada do Banco Master, em São Paulo, envolta em escândalo que já atinge políticos da esquerda e da direita Foto: Werther Santana/Estadão

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Na última sexta, 19 de junho, o Estadão publicou, com base em registros da PF, que o melhor amigo de Wagner, Guilherme Sodré, o Tio Guiga, intermediava contatos entre o senador e Vorcaro, e teria agendado reunião entre eles: “O encontro vai ser hoje em Brasília! Lucas, chefe de gabinete, vai enviar mensagem para acertar detalhes! Abraços e sucesso.” Foi em 7 de agosto de 2024, seis dias antes de Nogueira apresentar a chamada Emenda Master, no dia 13. No dia 12, Sodré, após telefonema com Vorcaro, mandou-lhe o número do celular pessoal de Wagner – e escreveu: “boa sorte”. No dia 13, Augusto Lima, o amigo fraterno Guga, sócio de Vorcaro, ligou ao senador e lhe enviou o link da proposta ao Senado.

Tramas que darão novo molho à memória de que Lula, ao receber Vorcaro no Planalto, fora da agenda e sob o lobby de Guido Mantega, recebeu também Lima e mandou chamar Rui Costa, o governador sob quem a Bahia concedera a Guga a exclusividade – por quinze anos – na exploração de oferta de crédito consignado a servidores do estado. Wagner era secretário de Desenvolvimento.

Talvez não tarde a que cheguemos ao debate em que se pedirá votos mercadejando a condição de menos enlameado. Wagner não é Lula – dirá o petista, para isolar o presidente do amigo, político milionário, que tornara líder do governo. Flávio Bolsonaro não recebeu propina – rebaterá o bolsonarista, para distinguir o senador, caso em que Vorcaro seria apenas um investidor no cinema nacional.

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O cronista então lembrado da notícia – veiculada em março – de que as turmas de Wagner e ACM Neto teriam firmado espécie de acordo para deixar o caso Master à margem da campanha eleitoral na Bahia. Foi logo após à revelação de que o ex-prefeito de Salvador recebera R$ 5,4 milhões do Master e da Reag a título, claro, de consultorias. Pouco antes, circulara a notícia de que a nora de Wagner levara – também por serviços de consultoria – pelo menos R$ 11 milhões do Master. (A nora de Wagner, casada com o filho de Tio Guiga, operador da BN Financeira, empresa que seria o destino de propina para Wagner.)

Quiçá as equipes de Lula e Flávio Bolsonaro pudessem firmar um pacto para ignorar o escândalo até outubro, o senador ficando, por exemplo, desobrigado de explicar os encontros com Vorcaro. Na sexta, dia 19, venceu o prazo – de até trinta dias – que Flávio dera para que a produtora de “Dark Horse” apresentasse a prestação de contas do filme.

Opinião por Carlos Andreazza

Andreazza escreve às segundas e sextas. Também apresenta, de segunda a sexta, o programa multiplataforma Estadão Analisa. É apresentador e colunista da Rádio BandNews FM. Foi colunista do jornal O Globo e âncora da rádio CBN.