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Comissão da Câmara aprova convite a ex-assessor que acusa Janones de ‘rachadinha’

Áudio divulgado por ex-assessor indica suposto esquema de ‘rachadinha’ no gabinete de André Janones; deputado diz que suas declarações foram distorcidas

Foto do author Rayanderson Guerra
Por Rayanderson Guerra
Atualização:

RIO – A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados aprovou, na manhã desta quarta-feira, 29, um convite a dois ex-assessores do deputado federal André Janones (Avante-MG) para prestarem esclarecimentos sobre a suposta prática de “rachadinha” no gabinete do parlamentar em Brasília. Os ex-funcionários de Janones Cefas Luiz Paulino e Leandra Guedes Ferreira, atual prefeita de Ituiutaba, em Minas Gerais, podem recusar o convite.

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O requerimento foi proposto pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A presidente da comissão, deputada Bia Kicis (PL-DF), ainda discute com as lideranças dos partidos sobre a possibilidade de convocar uma sessão extraordinária na próxima sexta-feira, 1º.

“Requer que seja submetido à deliberação do plenário desta Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) o convite ao Sr. Cefas Luiz Paulino, ex-assessor do deputado federal André Janones, e à Sra. Leandra Guedes Ferreira, também ex-assessora do parlamentar e atual prefeita de Ituiutaba, em Minas Gerais, para esclarecer suposta prática de esquema conhecido como ‘rachadinha’ com funcionários do seu gabinete, em Brasília”, diz o pedido.

Deputado André Janones, do Avante, diz que a gravação é clandestina e criminosa Foto: Divulgação/Câmara

Um áudio gravado por um ex-assessor de Janones mostra o parlamentar exigindo que funcionários do seu gabinete na Câmara arquem com suas despesas pessoais. A gravação foi revelada pelo site Metrópoles e obtida pelo Estadão. Em nota, Janones afirmou que suas declarações foram retiradas de contexto e negou a prática de “rachadinha”.

Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Janones atuou na campanha do petista como estrategista de redes. Em livro, ele sugere ter usado fake news e métodos eticamente duvidosos para desestabilizar Bolsonaro, principal adversário do petista, a quem acusa de fazer “rachadinha”.

“Tem algumas pessoas aqui, que eu ainda vou conversar em particular depois, que vão receber um pouco de salário a mais e elas vão me ajudar a pagar as contas que ficou (sic) da minha campanha de prefeito”, afirma Janones no áudio, ao relatar que tem uma dívida de R$ 675 mil. O comentário foi feito logo após o deputado dizer que não vai aceitar corrupção em seu mandato.

“‘Ah, isso é devolver salário e você está chamando de outro nome’. Não é! Porque eu devolver salário, você manda na minha conta e eu faço o que eu quiser, né? Isso são simplesmente algumas pessoas que eu confio, que participaram comigo em 2016 e que eu acho que elas entendem que realmente o meu patrimônio foi todo dilapidado. Eu perdi uma casa de R$ 380 mil, um carro, uma poupança de R$ 200 mil e uma previdência de R$ 70 (mil) e eu acho justo que essas pessoas também hoje participem comigo da reconstrução disso”, acrescenta.

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A gravação foi feita pelo ex-assessor Cefas Luiz durante um reunião no dia 5 de fevereiro de 2019 na Câmara dos Deputados, em Brasília. Cefas disse ao Estadão que o esquema seria organizado pela atual prefeita de Ituiutaba, Leandra Guedes (Avante), que é ex-assessora e ex-namorada de Janones.

No áudio, Janones disse também que é injusto ele ganhar R$ 25 mil e usar R$ 15 mil para pagar a dívida da campanha dele à Prefeitura de Ituiutaba em 2016.

“O Mário vai ganhar R$ 10 mil. Eu vou ganhar R$ 25 mil líquido. Só que o Mário, os R$ 10 mil é dele líquido. E eu, dos R$ 25 mil, R$ 15 mil eu vou usar para as dívidas que ficou de 2016. Não é justo, entendeu?”, afirma.

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Ao Estadão, Cefas explicou que só divulgou o áudio agora porque precisava estar longe e em segurança. Ele diz que vai enviar os arquivos ao Ministério Público Federal (MPF).

Janones, por sua vez, alegou que a gravação é clandestina e criminosa e que o áudio foi retirado de contexto para lhe imputar um crime que jamais cometeu. “É a segunda vez que trazem esse assunto para tentar me ligar a crimes. Em 2022 já fizeram isso durante a campanha, também com áudios fora de contexto. Essas denúncias vazias nunca se tornaram uma ação penal ou qualquer processo, por não haver materialidade. Não são verdade, e sim escândalos fabricados”, disse.

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