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Disputa pela Prefeitura de São José do Rio Preto testa influência de Tarcísio por candidata

Governo procura repetir padrão de apoio no Legislativo, mas até secretários podem se dividir entre nomes internos dos partidos e o indicado do atual prefeito, Edinho Araújo (MDB)

Foto do author Samuel Lima
Por Samuel Lima

A disputa pelo comando da prefeitura de São José do Rio Preto (SP) nas eleições municipais de 2024 deve testar a influência política do governador paulista, Tarcísio de Freitas. O Republicanos, seu partido, tenta emplacar o nome da secretária de Esportes, Helena Reis, e negocia o apoio do PL do ex-presidente Jair Bolsonaro e do PSD do secretário de governo, Gilberto Kassab. No primeiro escalão de Tarcísio, no entanto, há um secretário com ligações históricas com o atual prefeito e outro que defende publicamente a candidatura de um coronel da polícia militar pelo PL. A interlocutores, o governador tem dito que não pretende se envolver diretamente em disputas que envolvem vários candidatos de seu campo.

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O município de 480 mil habitantes, localizado na região noroeste de São Paulo, tem orçamento anual de R$ 2,9 bilhões e atualmente é comandado por Edinho Araújo (MDB). O prefeito reeleito, que havia assumido o cargo pela primeira vez entre os anos de 2001 e 2008, retornou ao poder nas eleições de 2016, após curta passagem pela Secretaria de Portos no governo Dilma Rousseff (PT). Seu vice na chapa era o atual secretário da Saúde do governo paulista, Eleuses Paiva (PSD). O secretário disse ao Estadão que não pretende se envolver na disputa por ocupar um cargo no Executivo estadual.

Segundo Edinho Araújo, o foco do partido é na construção de uma candidatura de centro-direita. O prefeito diz que pretende compor com Tarcísio e Kassab, mas garante que o MDB não abandonará o protagonismo na disputa. “A tendência, para quem está no poder, sempre é não abrir muito. O governador precisa saber quem são os seus parceiros e avaliar. Aqui é dessa forma, o MDB não tem como não apresentar um candidato a prefeito após oito anos de governo”, afirma.

Jogos Abertos, evento esportivo em São José do Rio Preto, reuniu Helena Reis (Republicanos), o prefeito Edinho Araújo (MDB) e Fábio Marcondes (PL). Foto: Bob Nunes / Prefeitura de São José do Rio Preto

Excluindo a capital paulista, chefiada por Ricardo Nunes (MDB), São José do Rio Preto é a maior e mais representativa prefeitura sob controle do MDB no Estado. O prefeito apoiou Tarcísio apenas no segundo turno das eleições do ano passado, mantendo-se fiel à orientação do partido a favor de Rodrigo Garcia (PSDB), com quem mantém boa relação. No embate entre Bolsonaro e Lula (PT), preferiu o silêncio.

Ainda que evite cravar o nome do sucessor, Araújo admite que o favorito dentro do partido é o deputado estadual Itamar Borges, líder do MDB na Assembleia Legislativa. Assim como ele, Borges nasceu em Santa Fé do Sul e já governou a cidade, que fica a cerca de 180 quilômetros de Rio Preto.

O deputado também foi secretário estadual da Agricultura na gestão de João Doria, entre junho de 2021 e março de 2022. Na pasta, uma de suas bandeiras foi intensificar a construção de estradas para escoar a produção agrícola no interior, por meio do programa Melhores Caminhos. Em maio, o governo Tarcísio entregou relatório ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontando inconsistências e prejuízos nos contratos do programa e que motivou a abertura de uma investigação pelo Ministério Público. O caso atinge diretamente o deputado, que nega irregularidades.

PL está dividido na disputa de 2024

Outra tarefa para o Republicanos em São José do Rio Preto será convencer o PL a endossar a candidatura de Helena Reis e evitar que Jair Bolsonaro suba em outro palanque. O ex-presidente recebeu 176.282 votos no segundo turno das eleições de 2022, o equivalente a 67,88% do total da cidade.

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Coronel da polícia militar e natural de Rio Preto, Helena chefiou a Casa Militar e a Defesa Civil do Estado de São Paulo entre 2017 e 2018, no governo do ex-tucano Geraldo Alckmin (PSB), e disputou duas eleições: em 2020, ficou em segundo lugar na disputa pela prefeitura contra Edinho Araújo; dois anos depois, tentou uma vaga a deputada estadual e novamente não foi eleita.

O presidente do diretório municipal do Republicanos, Diego Polachini, diz que o “recall” das eleições de 2020 e o fato de Helena ser uma candidata de baixa rejeição e com experiência prévia na gestão pública contam a favor dela. O apoio do PL seria uma forma de evitar a dispersão do voto no eleitorado conservador, o que é entendido internamente como o motivo de ela não ter sido eleita deputada.

O PL, no entanto, lançou como pré-candidato o vereador licenciado e secretário municipal de Esportes, Fábio Marcondes, que descarta a possibilidade de o partido ceder a cabeça de chapa. “Não existe se. O PL tem candidatura própria e o candidato já foi apresentado”, declara. Nome fiel do partido, ele recebeu apoio do deputado federal Luiz Carlos Motta, relator do orçamento, e do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.

Eleito vereador da cidade por três vezes, Marcondes chegou a assumir a gestão da prefeitura durante oito dias, em 2015, quando era o líder da Câmara e tanto o prefeito quanto a vice-prefeita estavam de férias. O currículo também tem polêmicas. Em 2013, desferiu um tapa no rosto de um jovem de 17 anos durante um protesto na Câmara. Quatro anos depois, foi condenado por compra de votos; a sentença foi derrubada depois que a Justiça Eleitoral anulou o mandado de busca e apreensão que serviu de base para a denúncia do Ministério Público.

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Dentro do próprio PL pairam dúvidas sobre a escolha. Derrotado na disputa para deputado estadual em São Paulo na sua estreia nas urnas em 2022, o chefe do Comando de Policiamento do Interior (CPI-5), coronel Fábio Candido, tem a simpatia da ala do partido mais alinhada ao chamado “bolsonarismo raiz”.

Em agosto, recebeu uma homenagem da Câmara Municipal ao lado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O filho “03″ do ex-presidente brincou na saída que era “cabo eleitoral” do coronel Fábio e que a decisão final seria tomada tanto pela executiva estadual quanto a nacional do PL. Outro a falar sobre a possibilidade de apoiar o militar foi o secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite. “Se a decisão dele for se lançar candidato, certamente vai poder contar com o nosso apoio”, afirmou a jornalistas em agenda na cidade, no final de setembro.

Apostas

Outros políticos surgem como possíveis candidatos, a exemplo o deputado estadual Valdomiro Lopes (PSB), que foi prefeito da cidade por dois mandatos. Apesar de compor a legenda de Alckmin, não pretende se aliar a Lula. Ele já aparece em peças publicitárias do PSB divulgando ações na cidade.

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Outros partidos de esquerda mencionam conversas por uma candidatura mais ampla para reverter o cenário. Um dos nomes cotados é o do vereador João Paulo Rillo (PSOL). Em 2020, PT e PSOL apresentaram candidatos próprios, mas que somados tiveram menos de 6% dos votos.

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