A política sem segredos

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‘Bet do bem’ existe? Prepara-se: vai ter gente tentando te convencer que sim

Bancada parlamentar que apoia apostas online já existe e pode crescer

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Foto do autor Francisco Leali

A campanha eleitoral está para começar. Candidatos a deputado federal e senador vão bater na sua porta querendo seu voto. Prepara-se. Uma parte deles vai querer te convencer que existe ‘bet do bem’.

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O motivo? O Congresso já tem uma bancada que defende interesses das empresas de apostas online. Na eleição deste ano, o setor pode querer aumentar seu poder político e trazer para Brasília mais congressistas simpáticos à causa das bets.

O setor foi regulamentado e paga imposto. Desde então, há no mercado dois tipos de bets: uma que tem a chancela do governo e recolhe imposto e outra que opera à margem da lei.

Ambas, no entanto, têm uma coisa em comum: vendem ilusão. Querem te convencer a jogar seu dinheiro num sistema que costuma prometer lucro fácil e rápido. Faz um Pix e receba em dobro, triplo ou muito mais. É o mantra da jogatina legalizada ou paralela.

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Há então a tal ‘bet do bem’? Aquela que tem o carimbo do governo e recolhe os impostos?

Apostas online têm bancada no Congresso Foto: Adobe Stock

Vamos a uma comparação. Tem cigarro sendo vendido que passa pelos crivos oficiais e tem cigarro que vem contrabandeado do Paraguai. O ‘cigarro do bem’ faz tanto mal quanto o contrabandeado. Na essência atacam a sua saúde.

Com as bets não é muito diferente. O mundo das apostas que está à curta distância de um clique no celular é um convite para uma ilusão. E há quem consuma dinheiro e saúde com o jogo. Os registros de vício estão aí explícitos.

Na Copa do Mundo, o setor ganhou uma janela ainda maior de exposição. Jogadores, artistas e veículos de comunicação. Muita gente abriu os braços para faturar com o dinheiro que jorra das casas de apostas.

Nessa época eleitoral, é bom ficar atento às mensagens de quem trata empresa de bet como geradora de empregos, uma nova atividade em expansão e que ainda ajuda o Estado a arrecadar recursos sob monitoramento oficial. Também é ilusão.

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Mas parece que estamos fazendo uma aposta na direção de que acreditamos todos que a atividade deve seguir viva para que o dinheiro continue jorrando no bolso de quem dela se locupleta.

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Opinião por Francisco Leali

Coordenador na Sucursal do Estadão em Brasília. Jornalista, Doutor em Comunicação e pesquisador dedicado a temas de transparência pública.