Atos contra anistia e PEC da Blindagem têm bandeirão do Brasil em SP e Chico, Gil e Caetano no Rio

Protestos mobilizados pela esquerda, com presença de artistas como Djavan, Daniela Mercury e Wagner Moura, ocorreram por todo o Brasil

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Atualização:

Atos contra anistia e PEC da Blindagem tem bandeirão do Brasil em SP e Chico, Gil e Caetano no Rio

Crédito: Pedro Kirilos, Fabio Vieira, Vinícius Valfré

BRASÍLIA E SÃO PAULO – Artistas, políticos e movimentos sociais se reuniram em protestos em todas as capitais brasileiras neste domingo, 21, contra a PEC da Blindagem e a tentativa de anistia a condenados pela tentativa de golpe de Estado. Os maiores atos ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Protesto ocupa Avenida Paulista contra anistia e PEC da Blindagem. Foto: Fábio Vieira/Estadão

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Na Avenida Paulista, manifestantes levaram uma grande bandeira do Brasil em um contraponto ao símbolo dos Estados Unidos exibido por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) em ato a favor da anistia no dia 7 de Setembro.

Segundo o Monitor do Debate Público da USP, 42,4 mil pessoas compareceram à Paulista neste domingo. No ato bolsonarista pró-anistia foram 42,2 mil.

Os atos realizados neste domingo foram marcados por cartazes chamando o Congresso de “inimigo do povo” por causa da aprovação da PEC que impede o andamento de processos criminais contra parlamentares, sem autorização do Congresso. Também pedem que Bolsonaro fique preso e cumpra a pena de 27 anos.

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As manifestações foram promovidas por artistas, movimentos sociais, sindicatos e políticos governistas. Em São Paulo, o protesto começou por volta das 14h. O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) afirmou que o Congresso precisa derrotar o que chamou de “anistia light” aos condenados nos ataques de 8 de Janeiro. “Não tem meio termo”, disse.

Na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, os manifestantes exibiram dois grandes bonecos infláveis: um de Jair Bolsonaro com camisa de presidiário e outro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o chapéu do “Tio Sam”.

Na representação, Trump carrega um cartaz com as palavras “Epstein list”, em referência à relação do presidente americano com o empresário Jeffrey Epstein – condenado por pedofilia e morto em 2019 –, de quem Trump era amigo.

Manifestacao na praia de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Pedro Kirilos/Estadão

Os manifestantes em Copacabana seguravam cartazes com os dizeres: “Congresso, vergonha nacional!” e “os piores deputados da História”, além dos motes “sem anistia” e “não à PEC da Bandidagem”.

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O ato no Rio conta com apresentações musicais de Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Djavan, Marina Sena, Ivan Lins, Maria Gadú, Paulinho da Viola e Lenine. Conforme a contagem do Monitor do Debate Público da USP, o público foi de 41,8 mil pessoas. No ato pró-anistia convocado pelos bolsonaristas, em 7 de Setembro, 42,7 mil pessoas estiveram no local.

Caetano Veloso atuou como um mestre de cerimônias no carro de som. Chamou Geraldo Azevedo ao palco, que cantou Bicho de Sete Cabeças e Dia Branco, canção que ele terminou com um arranjo no verso final: “Pro que der e vier comigo, sem anistia”. Em seguida, Caetano assumiu o microfone e disse: “Sem anistia e com democracia. Este é o Brasil bonito”, chamando Ivan Lins na sequência.

Chico Buarque e Gilberto Gil cantaram “Cálice”, uma das canções emblemáticas de protesto contra a ditadura militar.

Em Brasília, a manifestação começou por volta das 10h e foi marcada por críticas ao Congresso e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, tido como um dos principais beneficiários do PL da Anistia. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também foi citado.

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Os manifestantes carregavam faixas com dizeres como “Congresso inimigo do povo”, “sem perdão para golpistas” e “sem anistia”. Um dos participantes do ato estimou, do caminhão de som, a presença de 30 mil pessoas. As forças de segurança pública não divulgaram estimativa de público.

Durante o ato, o ex-ministro José Dirceu (PT) fez críticas duras ao Poder Legislativo. “Temos que tomar consciência de que para mudar este País, temos que mudar o Congresso Nacional”, disse o ex-ministro. O ato contou com as apresentações musicais de Chico César e Djonga.

Boneco inflável de Jair Bolsonaro chama a atenção durante protesto contra a anistia em Brasília  Foto: Evaristo Sa/AFP

Em Salvador, a manifestação envolveu uma caminhada do Farol ao Cristo, com um trio elétrico puxado pela cantora Daniela Mercury, que se manifestou nas redes.

“Estamos na rua! Contra a PEC da Bandidagem e da Anistia. Salvador dando exemplo de luta pela democracia”, escreveu. O ator Wagner Moura também subiu ao trio e afirmou que “aqui, a extrema direita não se cria”. A percussionista Lan Lanh e sua mulher, a atriz Nanda Costa, também estiveram presentes.

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A cantora Daniela Mercury puxa o trio elétrico durante manifestacao contra a PEC da Blindagem em Salvador. Foto: @DanielaMercury via X

Em Belo Horizonte, a manifestação teve início por volta das 9h, na Praça Raul Soares. Do carro de som, um organizador do evento puxou o grito “bom dia, sem anistia para golpista!”, que foi repetido pelos manifestantes. A frase foi entoada em diferentes momentos do ato e estava presente em cartazes dos manifestantes, assim como “não à PEC da bandidagem” e “Congresso inimigo do povo”.

Bandeiras do Brasil também marcaram o protesto na capital mineira. Em uma delas, estava escrito “Brasil soberano é o povo no poder”. Havia ainda manifestante com bandeira da Palestina. Uma das atrações do carro de som foi a cantora Fernanda Takai, da banda Pato Fu.

Em Belém, os manifestantes se reuniram em frente ao Theatro da Paz, na Praça da República, e seguiram até a Estação das Docas. Além de apresentações musicais locais, houve presença do ator Marco Nanini.

Manifestantes fazem ato contra a PEC da Blindagem na Avenida Paulista, região central de São Paulo. Foto: Fábio Vieira/Estadão

Um dos organizadores do ato em São Paulo, Gilmar Mauro, que é coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST), afirmou que as mobilizações querem que o Congresso Nacional barre a PEC da Blindagem e a proposta de anistia aos condenados pela trama golpistas.

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“Por outro lado, a mobilização nas ruas pede que haja avanço das pautas populares, como a taxação dos super ricos, a isenção de imposto de renda para os que ganham até R$ 5 mil e o fim da escala 6 por 1, que afeta os mais jovens, principalmente”, disse Gilmar, que faz parte da Frente Brasil Popular.

O músico Jota.pê, que se apresentou na Paulista, falou ao Estadão antes de se dirigir ao público. “É importante virmos aqui para mostrar a importância da política para os jovens da periferias”, afirmou. O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), por sua vez, reforçou: “Não aceitamos impunidade com essa pec. Vamos lutar com esse absurdo”.

Anistia e PEC da Blindagem são principais alvos das manifestações

Os atos mobilizados pela esquerda no País miram o Congresso, com críticas duras ao projeto da anistia a golpistas e à proposta de emenda à constituição que ganhou o apelido de PEC da Blindagem, por dificultar a responsabilização criminal de parlamentares.

A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados na última terça-feira, 16, com adesão massiva do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e também de outros partidos de oposição ao governo Lula. O PT, por sua vez, liberou a bancada e teve 12 deputados votando a favor da proposta no primeiro turno. Dois deles mudaram de posição na segunda rodada.

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O texto da PEC diz que deputados e senadores só poderão ser presos em caso de flagrante por crime inafiançável, amplia o foro privilegiado e ainda restringe processos criminais contra os parlamentares.

Ela segue para aprovação do Senado. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da proposta, sinalizou que se posicionará pela rejeição.

Já o projeto de anistia ainda segue na Câmara. Na última quarta-feira, 17, a Câmara aprovou urgência do tema. Na quinta, 18, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), oficializou Paulinho da Força como relator do projeto, que rebatizou a proposta de “PL da Dosimetria”.