Homenagem a Olavo de Carvalho na Câmara tem sessão esvaziada, choro, música e poema

Pouco mais de 50 pessoas e apenas seis deputados participaram de ato em memória ao guru do bolsonarismo, morto em janeiro de 2022; veja o vídeo

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Foto do author Levy Teles
Por Levy Teles

BRASÍLIA – Mesmo com o convite feito para todo o público pelas deputadas Carla Zambelli (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF), a sessão solene em memória ao principal ideólogo da direita bolsonarista, Olavo de Carvalho, realizada nesta sexta-feira, 1º, teve a presença de pouco mais de 50 pessoas e de seis parlamentares. O evento na Câmara teve apresentação musical, vídeo com um depoimento em homenagem e um poema dedicado a ele.

Olavo, morto em janeiro de 2022, era tido como um “guru” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – rótulo que ele próprio recusava –, e ajudou a mentorar alguns dos parlamentares mais ideológicos do PL. Além de Zambelli e Kicis, compareceram Nikolas Ferreira (PL-MG), André Fernandes (PL-CE), Marco Feliciano (PL-SP) e Professor Paulo Fernando (Republicanos-DF).

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Em mensagem tradicionalmente enviada ao plenário em eventos, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), definiu Olavo como “escritor e influenciador” e fez elogios a ele, chamando-o de alguém que tinha “inegável talento com as palavras”, “inovador da cultura” e o “mais politicamente influente nos últimos 20 ou 30 anos”.

Olavo ganhou fama após parte de suas obras – como O Jardim das Aflições, O Imbecil Coletivo e O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota – e vídeos ganharem grande popularidade entre a extrema-direita, sobretudo em comunidades na internet.

Conhecido também por uma retórica inflamada, repleta de xingamentos e insultos, nem mesmo pessoas que hoje o homenageiam foram poupadas por ele. Zambelli, por exemplo, já foi chamada de caipira.

“Bando de caipira. Inclusive você, Carla Zambelli. Já te ajudei muito, se você não sair desse negócio, eu não te ajudo mais”, disse Olavo, em janeiro de 2019. Zambelli foi com um grupo de deputados do então PSL para a China.

A deputada relatou que houve um telefonema do ideólogo e que ele disse que se ela não voltasse para o Brasil, nunca mais falaria com ela. Eles resolveram os impasses, segundo Zambelli, depois desse diálogo. “Não tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e isso é algo que carrego com muita angústia”, relatou Zambelli na sessão desta sexta-feira. Olavo morreu poucos dias depois de ser diagnosticado com covid-19, aos 74 anos.

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Foi a segunda pessoa a quem Bolsonaro decretou luto oficial quando presidente. A primeira foi a do ex-vice-presidente Marco Maciel.

Bia Kicis, autora do requerimento para a realização da sessão, chorou no depoimento ao tentar defini-lo. Nikolas, o deputado federal mais votado do Brasil, relatou o primeiro encontro com o ideólogo, nos Estados Unidos. “Tremi todo. Foi muito mais que quando eu vi Neymar. Nem se compara”, disse.

Aos poucos presentes, houve uma breve sinalização aos visitantes. “Ninguém senta aí do lado esquerdo. É aí onde os petistas ficam”, disse Professor Paulo Fernando. A região do plenário ficou, então, esvaziada. “Quero dizer para vocês olharem aqui, para o lado da esquerda, vejam que está vazio. Eles nunca leram um livro de Olavo de Carvalho”, afirmou. O público aplaudiu. O parlamentar negou que Olavo de Carvalho seja o “pai da direita” e mencionou outras pessoas que ajudaram a crescer o movimento, como Plínio Salgado, criador do integralismo.

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