Jean Gorinchteyn abandona pré-campanha de Boulos e critica deputado por não condenar Hamas

Ex-secretário de Saúde cita postura de pré-candidato do PSOL sobre ataques terroristas; ‘Temos obrigação nos posicionarmos contra esse absurdo’, afirma

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Por Daniel Weterman
Atualização:

BRASÍLIA – O ex-secretário de Saúde de São Paulo Jean Gorinchteyn deixou a pré-campanha de Guilherme Boulos (PSOL) à Prefeitura da capital paulista pela postura do deputado em relação ao ataque do grupo terrorista Hamas no sul de Israel.

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Gorinchteyn, que é judeu, comandou a secretaria estadual de Saúde no governo João Doria, durante o enfrentamento da pandemia de covid-19, e coordenava o programa de saúde do pré-candidato do PSOL na capital paulista.

O ex-secretário criticou Boulos por não condenar explicitamente o Hamas após o ataque. “Nessa ação, reafirmo meu compromisso como judeu em apoio ao Estado de Israel e em respeito às vítimas e seus familiares. É imperativo condenar e repudiar ataques terroristas contra civis em qualquer lugar do mundo”, disse Gorinchteyn em uma nota publicada no Instagram.

Neste domingo, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o país está oficialmente em guerra. De acordo com o ministério da Saúde de Israel, o número de vítimas fatais no país já chega a 700. Do outro lado, em Gaza, os números das autoridades locais apontam para cerca de 400 mortos.

No sábado, 7, Jean Gorinchteyn publicou um vídeo falando sobre a situação em Israel. “Temos obrigação quanto sociedade civil de nos posicionarmos contra esse absurdo”, afirmou.

O episódio foi usado por opositores de Boulos para criticar o deputado. Imagens de Boulos com mensagens de apoio à palestina foram publicadas nas redes sociais. Filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o deputado federal Eduardo Bolsonaro, tentaram associar a imagem de Boulos aos ataques do Hamas ao publicar foto antiga do psolista na Cisjordânia em 2018.

Boulos se manifestou nas redes sociais reiterando a defesa dos direitos do povo palestino e condenando “ataques violentos a civis” e classificou o uso das imagens como fake news.

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“Minha defesa dos direitos do povo palestino é pública. Cheguei inclusive a realizar uma visita à Cisjordânia em 2018, da qual os bolsonaristas estão utilizando imagens para propagar fake news. Agora, condeno sem meias palavras ataques violentos a civis, como os que mataram nas últimas horas 250 israelenses e 232 palestinos”, escreveu o deputado.

Como mostrou a Coluna do Estadão, os ataques Hamas a Israel fizeram ressuscitar nas redes sociais o tiroteio entre bolsonaristas e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Pelo respeito e admiração ao povo de Israel, repudio o ataque terrorista feito pelo Hamas, grupo terrorista que parabenizou Luiz Inácio Lula da Silva quando o TSE anunciou o vencedor das eleições de 2022”, disse o ex-presidente Jair Bolsonaro.

No sábado, Lula disse que ficou “chocado com os ataques terroristas” realizados pelo Hamas contra Israel. O presidente prestou condolências aos familiares das vítimas e afirmou que repudia o terrorismo “em qualquer das suas formas”.

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