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O jogo da democracia no Brasil e no mundo

A inspiração que vem da África do Sul

Mpumalanga mostra que o mundo está disposto a investir em quem olha para frente

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Por João Gabriel de Lima
Atualização:

A Província de Mpumalanga, na África do Sul, é famosa pelo Parque Nacional Kruger, onde se podem observar elefantes, leões, leopardos, rinocerontes e búfalos – os “big 5″ dos turistas que fotografam animais. Nos próximos anos, é possível que a região fique conhecida por um motivo mais nobre. Ao que tudo indica, será um exemplo internacional do que os ambientalistas chamam de “transição justa”.

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Um dos casos mais inspiradores apresentados na COP-27, no Egito, foi o plano de descarbonização da África do Sul. O país precisa de bilhões de dólares para mudar sua matriz energética, cuja base é o carvão produzido em Mpumalanga. Na COP-26, na Escócia, apresentou um plano a possíveis investidores. A repercussão foi enorme. Entre a Escócia e o Egito, a África do Sul captou US$ 8,5 bilhões – e colocou o projeto em marcha.

“Trata-se de um plano de longo prazo, crível e detalhado. Esse é o diferencial”, diz Gustavo Pinheiro, coordenador de economia de baixo carbono no Instituto Clima e Sociedade. Ele é o entrevistado no minipodcast da semana. O projeto inclui produção de energia eólica e solar, carros elétricos e hidrogênio verde.

Parque Nacional Kruger, na Província de Mpumalanga, na África do Sul Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters - 10/2/22

O plano não se concentra apenas em atrair investimentos, mas também em criar alternativas para os trabalhadores do carvão que ficarão desempregados em Mpumalanga. A isso se chama “transição justa”. Programas de educação e treinamento serão financiados, em sua maior parte, pelo governo do Reino Unido, responsável pelo maior aporte na fase inicial do plano – US$ 1,6 bilhão.

A engenharia financeira dos programas de transição energética vem sendo aperfeiçoada ao longo dos anos, mesclando recursos de várias fontes. Doações de governos e de filantropia ajudam a diminuir o risco do capital privado, num processo conhecido como “blended finance”. Além do Reino Unido, Alemanha, EUA e França estão investindo no programa sul-africano.

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Como lembra Gustavo Pinheiro no minipodcast, o Brasil já tem 80% de matriz energética limpa. Esse número pode cair para 65%, segundo ele, por causa de vários penduricalhos incluídos na lei de privatização da Eletrobras – que preveem, entre outras coisas, a criação de termoelétricas a gás. É o Brasil chafurdando na lama do passado.

Em vez de investir em energia suja, poderíamos seguir o exemplo da África do Sul e apostar na economia do futuro – no caso, um futuro ambientalmente sustentável e socialmente mais justo. Nosso potencial em energia eólica e solar é imenso, e o caso de Mpumalanga mostra que o mundo está disposto a investir em quem olha para frente.

Para saber mais

Minipodcast com Gustavo Pinheiro

Plano de descarbonização da África do Sul

Editorial do Estadão sobre transição justa

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