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Com fracasso de live, Lula muda estratégia e privilegia entrevistas a rádios locais

Transmissões do ‘Conversa com o Presidente’ tiveram audiências ‘flopadas’ em 2023, apesar de produção turbinada da EBC; Secretaria de Comunicação Social da Presidência e EBC foram procuradas, mas não responderam à reportagem

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Por Gabriel de Sousa
Atualização:

BRASÍLIA – Após o fracasso do podcast semanal “Conversa com o Presidente”, que mesmo tendo a produção realizada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) não registrou bons índices de audiência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou a sua estratégia de comunicação e passou a privilegiar entrevistas em rádios locais espalhadas pelo Brasil. Nas últimas duas semanas, Lula concedeu duas entrevistas para veículos do Nordeste no horário onde era transmitido o antigo programa.

Lula decidiu mudar estratégia e começou a participar de entrevistas com rádios locais após live semanal realizada pela EBC 'flopar' Foto: Ricardo Stuckert/PR

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O “Conversa com o Presidente” foi um esforço governamental para tentar ampliar a presença de Lula nas redes sociais, arena onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cresceu e se consolidou. Para tentar fazer o podcast semanal “bombar”, a EBC montou um quadro com oito funcionários e contratou nomes de peso como o ex-jornalista da Globo Marcos Uchôa e novos profissionais comissionados (cargos que não possuem concurso público).

O “Conversa com o Presidente” chegou a ser temporariamente descontinuado por três semanas entre setembro e outubro. O hiato ocorreu após a área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) ter sugerido que a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) fosse advertida por causa da divulgação das lives semanais nas redes sociais de órgãos oficiais do governo.

Apesar do investimento, as lives de Lula não fizeram sucesso. Um levantamento realizado pelo Estadão mostrou que, entre junho e dezembro, o governo produziu 22 episódios do podcast com uma média de 75 mil visualizações cada. Já as lives de Bolsonaro, realizadas com uma estrutura menor e sem apresentadores como as do petista, chegaram a alcançar 2 milhões de visualizações no Facebook, principal plataforma de divulgação das transmissões que o antecessor realizava nas noites de quinta-feira.

No último domingo, 28, Bolsonaro realizou uma live junto com os seus três filhos políticos e os resultados foram superiores às audiências de todas as transmissões do “Conversa com o Presidente”. Às 19h50, o programa do clã registrou audiência de 443.352 visualizações simultâneas, somando as redes de Bolsonaro e do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho “03″ do ex-presidente. Até hoje, o vídeo com maior audiência do podcast produzido pela EBC, no canal oficial de Lula no YouTube, tem 191 mil visualizações até o momento.

Após os resultados ruins, o governo não publicou novos episódios do programa de Lula neste ano de 2024. A última transmissão ocorreu em 19 de dezembro e obteve 47 mil visualizações até esta sexta-feira, 2. O Estadão procurou a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), mas não obteve retorno.

Em contrapartida do abandono do podcast, o petista começou a conceder entrevistas para rádios locais. A nova postura ocorre ao mesmo tempo que iniciou uma outra estratégia do governo que é a de ampliar as viagens pelo País, tendo em vista as eleições municipais de outubro. O PT pretende lançar candidatos a prefeito em mais de 500 municípios e em 14 das 26 capitais.

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Para rádio de Salvador, Lula disse que convívio com a Câmara é ‘difícil’

No último dia 23, Lula participou de uma entrevista para o problema “Bom Dia”, da Rádio Metrópole de Salvador, apresentado pelo jornalista Mário Kertész, que se emocionou ao entrevistar o petista. Durante a entrevista, Lula disse que o convívio com a Câmara dos Deputados é “difícil”, mas que não teria do que reclamar sobre a sua relação com o Congresso Nacional.

A conversa com a rádio soteropolitana ocorreu após o petista vetar R$ 4,2 milhões em emendas para o Legislativo no Orçamento para 2024. Segundo o chefe do Executivo, ele terá “o maior prazer” em explicar o veto para os parlamentares e afirmou ainda que Bolsonaro “não tinha capacidade” para discutir o tema.

“Ele não tinha sequer capacidade de discutir o orçamento, porque não queria ou não fazia parte da lógica dele. O que ele queria era que os deputados fizessem o que quisessem. O que nós resolvemos restabelecer foi uma relação democrática com o Congresso”, afirmou.

Em uma semana, a entrevista de Lula para a rádio de Salvador acumulou 42 mil visualizações no canal do YouTube do petista. Também houve outras formas de acompanhar o programa através de players na internet ou sintonizando a frequência do veículo soteropolitano.

O número de visualizações, na rede social do chefe do Executivo, é menor que a média de 75 mil visualizações obtidas pelo “Conversa com o Presidente”.

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Em entrevista para rádio de Recife, Lula falou sobre operação da PF contra Carlos Bolsonaro

Nesta terça-feira, 30, Lula concedeu uma entrevista para a Rádio CBN de Recife, capital do Estado de Pernambuco. Assim como no “Conversa com o Presidente”, o programa foi gravado no Palácio do Alvorada.

Durante a conversa, que foi apresentada pelo jornalista Elielson Lima, Lula falou sobre a operação da Polícia Federal (PF) que foi deflagrado contra os endereços do vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do ex-presidente. Carlos está sendo investigado pela PF por suposta espionagem ilegal na Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Segundo o petista, não houve um “problema anormal” na ação empreendida pela corporação e que “as pessoas que não devem, não temem”.

“Não vejo nenhum problema anormal, saiu uma decisão judicial. Eu espero que as pessoas que estão sendo investigadas sejam investigadas e tenham direito à presunção da inocência, o que eu não tive, e acho que as pessoas que não devem não temem”, afirmou o presidente.

Até o final da noite desta terça-feira, a entrevista de Lula para a CBN Recife registrou 27 mil visualizações no canal do petista no YouTube.

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