Vereador do Rio Grande do Sul critica cachorros na rua: ‘Pode matar’; veja vídeo

Ao Estadão, Léo Mota disse que declaração foi mal interpretada e que não defende violência contra os animais; deputados federais pedem apuração do Ministério Público

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Por Gabriel de Sousa

BRASÍLIA - No município gaúcho de Fazenda Vilanova, a 90 quilômetros de Porto Alegre, o vereador Léo Mota (PDT-RS) criticou a presença de animais de rua da cidade e disse que eles poderiam ser mortos. A declaração foi feita no dia 9 de outubro em uma sessão da câmara de vereadores da cidade, mas só repercutiu nas redes sociais nos últimos dias. Veja o vídeo:

Durante o início da sessão, o vereador relatou que um motociclista sofreu um acidente por desviar de um cachorro e afirmou que a cidade estava com animais “por todo lado” por conta de “algumas pessoas irresponsáveis que colocam comida na rua” e criam “bandos” de cães.

Léo Mota (PDT-RS) criticou cachorros que ficam na rua de Fazenda Vilanova e disse que um vizinho 'pode matar' um cão seu que entrasse em outra residência Foto: Reprodução/Câmara Municipal Fazenda Vilanova

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Durante o seu discurso, o parlamentar disse que se um cachorro seu saísse da sua casa e entrasse na casa de uma outra pessoa, o animal poderia ser morto e o vizinho ainda seria parabenizado.

“Gente, quem quer ter um cachorro, tem que ter em casa, preso no pátio e amarrado. Eu, na casa da minha mãe, nós temos quatro. Se sair do pátio e incomodar o vizinho, pode matar e eu parabenizo quem matou. Tem que ser em casa”, afirmou Mota.

Vereador disse que declaração foi mal interpretada

Ao Estadão, Léo Mota disse que a sua declaração foi mal interpretada e que, durante o pronunciamento, não estava falando de cachorros abandonados, e sim de animais com tutores que são soltos nas ruas de Fazenda Vilanova. Segundo o parlamentar, esses cães entram em propriedades e mordem os moradores da cidade.

“A minha fala foi dizendo: se um cachorro meu ir à propriedade do vizinho e matar os bichos do vizinho e o vizinho matar o meu cachorro, eu não vou ficar inimigo do vizinho por isso. Na realidade, quem tem a obrigação de cuidar do cachorro sou eu”, disse.

O parlamentar disse que não incentiva o crime de violência contra os animais e que os críticos da sua declaração não entendem a situação de Fazenda Vilanova. Ele defendeu que os cachorros com tutores devem ficar presos dentro das casas para que não circulem pelas ruas do município.

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Mota afirmou também que está recebendo ataques e ameaças nas redes sociais após a repercussão da sessão e que entrará, em breve, com ações na Justiça.

Léo Mota é vereador de Fazenda Vilanova desde 2009 e atualmente está no seu quarto mandato. Nas últimas eleições, em 2020, ele foi eleito com 163 votos, sendo o sexto mais votado no município.

Deputados pedem apuração do caso ao Ministério Público

Nesta terça-feira, 31, após a repercussão da sessão municipal, os deputados federais Fred Costa (Republicanos-MG) e Delegado Bruno Lima (PP-SP) entraram com um ofício denunciando uma apologia ao crime de maus-tratos de animais por parte de Mota no Ministério Público do Rio Grande do Sul. Os parlamentares cobraram que as autoridades gaúchas apurassem a declaração do vereador.

‘Absurdo um vereador que deveria usar sua função para ajudar a população e toda forma de vida, usar a fala para prejudicar os animais! Eu e o delegado Bruno não deixaremos impune, estamos pedindo a cassação dele”, disse Fred Costa ao Estadão.

Nesta quarta-feira, 1, a câmara de vereadores de Fazenda Vilanova publicou uma nota oficial dizendo que “não compactua e não comunga de ideias e ações que atinjam os direitos constitucionais, em especial o direito à vida de qualquer espécie”.

“Palavras que invoquem maus tratos, violência ou ações de barbárie contra animais foram, são e serão sempre objeto de repulsa da Casa do Povo, hoje e sempre”, complementou o legislativo municipal.

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