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Acidente em Boituva: funcionamento do centro de paraquedismo não deve ser afetado, diz prefeito

Empresário morreu em pouso com paraquedas na cidade nesta semana. Gestão municipal não acredita em novas sanções ao local

Foto do author Caio Possati
Por Caio Possati
Atualização:

O prefeito de Boituva, Edson Marcusso (PSD), entende que, até o momento, não há motivos para o Centro Nacional de Paraquedismo (CNP), localizado na cidade, ser novamente interditado por conta do acidente que matou o empresário Humberto Siqueira Nogueira, de 49 anos, na última quarta-feira, 11.

Em conversa com o Estadão nesta sexta-feira, 13, ele diz que o que aconteceu com Humberto Nogueira é um caso diferente do acidente que provocou a morte do aluno de paraquedismo Andrius Jamaico Pantaleão, de 38 anos, em julho do no ano passado. Pantaleão caiu sobre o telhado de uma casa durante um salto. “Foi o primeiro caso desse tipo. Uma pessoa veio em queda livre, não houve abertura do equipamento, e ele caiu em cima de uma residência na cidade”.

No ano passado, CNP foi interditado pela Justiça após quatro pessoas morreram em acidentes de paraquedismo em quatro meses. Foto: Taba Benedicto/Estadão (julho/2022)

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A morte do aluno levou a Justiça acatar uma representação judicial da Polícia Civil e do Ministério Público e determinar a suspensão temporária do Centro Nacional de Paraquedismo, sob a alegação de que os voos e saltos, por acontecerem sobre rodovias e áreas urbanas, não garantiam a segurança da população e dos atletas.

“Me parece que esse caso não foi falha de equipamento nem de atendimento depois do acidente porque foi um choque muito violento”, disse Edson Marcusso em referência ao episódio desta semana.

“E, efetivamente, poderíamos ter todos os recursos em termos de prestação de socorros, mas não seria possível (fazer Humberto sobreviver) porque foi um acidente muito grave”, afirmou o prefeito. “Na minha avaliação, (suspender as atividades do CNP) seria o mesmo que fechar uma estrada depois de um acidente com uma vítima fatal”.

A Polícia Civil de Boituva segue investigando as causas da morte de Nogueira. O empresário era considerado um paraquedista experiente, com mais de mil saltos realizados, segundo pessoas próximas ouvidas pelo Estadão. Nas redes sociais, a vítima se apresentava como praticante de diferentes esportes radicais como paraquedismo, alpinismo, snowboard, kitesurfe, e exibia fotos e vídeos praticando as modalidades em diferentes lugares do Brasil e do mundo.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP) o empresário, que era de Goiás, colidiu contra o solo no momento do pouso. Ele chegou a ser atendido e levado ao hospital São Luiz, em Boituva, mas morreu em razão de uma parada cardiorrespiratória. Questionada nesta sexta-feira, 13, sobre os desdobramentos da investigação, a pasta afirmou apenas que a Polícia Civil de Boituva “instaurou inquérito policial” e que “diligências prosseguem visando à elucidação dos fatos”.

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“No último salto do dia, que foi o terceiro salto do dia para ser mais exato, ele estava fazendo um pouso padrão como diversas outras vezes, e algo aconteceu”, relatou o paraquedista Paulo Pires, que era amigo de Humberto, ao Estadão. “Ele acabou colidindo com o chão de uma maneira que gerou uma lesão dentro do tórax dele, e infelizmente, ele parou de respirar.”

O paraquedista Humberto Siqueira Nogueira morreu em Boituva, depois de sofrer uma queda em um salto de paraquedas. Foto: Instagram/@humbertosnogueira

Acidente não foi causado por falhas de equipamento, diz confederação

Em conversa com o Estadão, o presidente da Confederação Brasileira de Paraquedismo (CBPq), Uellinton Mendes de Jesus, também informou que a queda não foi provocada por problemas nos equipamentos da vítima, com base em análise dos peritos do CBPq. “Foi constatado que o paraquedas estava inflado e navegando para pouso”, disse Mendes. “O check funcional de um paraquedas é realizado logo após sua abertura pelo paraquedista. Se há qualquer falha com o principal, o reserva deve ser acionado imediatamente”, completou o dirigente.

Mendes também entende que é necessário aguardar as investigações, mas que as informações preliminares não devem apontar para uma punição ao CNP.

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Segundo o presidente da CBPq, o Centro Nacional de Paraquedismo promove cerca de 15 mil saltos por mês e quase 180 mil por ano, enquanto a média anual de acidentes, envolvendo atletas filiados à confederação, é muito pequena em relação à frequência de atividades que acontece no local. “Respondendo pela confederação, e não por associações independentes, esse ano tivemos só dois acidentes fatais. É pouco perto da quantidade de saltos no ano”, disse.

Mais cedo, em nota, a CPBq lamentou o acidente que tirou a vida de Humberto Nogueira, prestou condolências aos amigos e familiares, e disse que a confederação também iniciou uma investigação rigorosa sobre o ocorrido. Segundo Uellington, as respostas das apurações da entidade devem ser apresentadas pelo órgão na semana que vem.

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