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Apagão: SP promete cobrar da Enel ressarcimento para prejudicados, diz Tarcísio

Governador reconheceu que Estado não está preparado para eventos climáticos extremos. Ao menos 500 mil seguem sem luz nesta segunda-feira

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Por Ítalo Lo Re
Atualização:

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira, 6, que o Estado “não está preparado” para lidar com eventos climáticos extremos. Um forte temporal atingiu a capital e região metropolitana na sexta-feira, 3, derrubando dezenas de árvores e interrompendo o fornecimento de energia para milhões de pessoas. Nesta segunda-feira, 6, ao menos 500 mil ainda estavam sem luz.

“São Paulo acabou sofrendo com os efeitos da chuva. Isso mostra para a gente que a cidade não está preparada, que o Estado como um todo não está preparado para esses eventos climáticos extremos”, disse Tarcísio, após o lançamento de um programa de bolsas de intercâmbio para alunos da rede pública. Ele mencionou ainda a intenção de que as pessoas afetadas sejam ressarcidas por meio de um termo de ajustamento de conduta (TAC) com a concessionária.

Temporal da sexta-feira deixou dezenas de árvores derrubadas na cidade de São Paulo Foto: Felipe Rau/Estadão

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No fim da tarde desta segunda, está prevista uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, que contará com a presença do governador, do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e de representantes da Aneel (reguladora dos contratos de concessão de energia elétrica), da Enel e de outras concessionárias de energia.

“A gente tem que chamar essas empresas para pensar o seguinte: que medidas nós vamos tomar de curto e médio prazo?”, disse. O governador citou que algumas localidades estão completando hoje 72 horas sem energia.

Segundo o governador, além de entender o que será feito nas próximas horas, a ideia é sugerir um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para que a concessionária faça o ressarcimento de moradores e comerciantes afetados pelo apagão.

Cerca de 4 milhões de endereços chegaram a ser impactados no Estado, segundo o governador. Ele citou que várias pessoas tiveram perda de mercadoria, viram alimentos estragar, entre outros prejuízos.

“Vamos propor um TAC para que a gente possa facilitar a vida desse cidadão, porque não seria razoável que esse cidadão entre num caminho ordinário de atendimento e acabe não tendo resposta”, disse o governador.

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Outro ponto é pensar medidas para o eventos futuros. “A gente tem que entender que isso vai ser cada vez mais recorrente. O que aconteceu na sexta-feira foi extraordinário, mas vai ser comum a partir de agora”, disse o governador. Os ventos chegaram a superar 100 km/h.

Entre as possibilidades, ele levantou a ideia de fazer novos mapeamentos de árvores na capital paulista e pensar possibilidades de investimento. “A gente não pode ter outra tempestade dessa, ter outra pancada de vento, cair um monte de árvores de novo e ficar um monte de consumidor sem energia. Chegamos a ter 4 milhões de unidades sem energia, e algumas estão indo para 72 horas sem.”

Técnicos trabalham 24 horas por dia, diz Enel

Em nota, a Enel Distribuição São Paulo informa que restabeleceu a energia para mais de 76% dos clientes que tiveram o fornecimento impactado após o vendaval da última sexta-feira. Até o momento, cerca de 1,6 milhão de clientes tiveram o serviço normalizado, de um total de cerca 2,1 milhões afetados na última sexta-feira.

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“O vendaval que atingiu a área de concessão no dia 3 de novembro foi o mais forte dos últimos anos e provocou danos severos na rede de distribuição. Técnicos da companhia seguem trabalhando 24 horas por dia para agilizar os atendimentos e restabelecer o serviço para a grande maioria dos clientes até a próxima terça-feira, conforme anunciado em reunião com o prefeito de São Paulo na tarde de ontem (domingo)”, diz outro trecho do comunicado.

Devido à complexidade do trabalho para reconstrução da rede atingida por queda de árvores de grande porte e galhos, a recuperação ocorre de forma gradual. Em atuação conjunta com Corpo de Bombeiros, Prefeitura e outras autoridades, a companhia tem priorizado os casos mais críticos, como serviços essenciais e a conexão das escolas onde seriam aplicadas as provas do Enem.

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