PUBLICIDADE

‘Navio fantasma’ do século 19 ressurge no litoral de Santos; veja imagens

Com realidade aumentada e escaneamento por QR Code, é possível ver de novo veleiro inglês que encalhou há mais de cem anos

Foto do author José Maria Tomazela
Por José Maria Tomazela

Os destroços de um navio encalhado há mais de um século em uma das praias de Santos, no litoral de São Paulo, sempre intrigaram os moradores e acabaram virando atração turística. Agora, o navio fantasma, que foi identificado como o veleiro inglês Kestrel, pode ser visto por inteiro, como era quando encalhou em 1895, por meio do recurso da realidade aumentada. A tecnologia permite sobrepor elementos virtuais à nossa visão da realidade.

Para ver o veleiro em 3D, flutuando como um navio fantasma sobre as águas do mar, basta escanear o QR Code de uma placa instalada junto à mureta do Canal 5, na Praia do Boqueirão, e apontar o celular em direção aos destroços da embarcação.

Os destroços de um navio encalhado há mais de um século em uma das praias de Santos, no litoral de São Paulo, sempre intrigaram os moradores e acabaram virando atração turística. Foto: Francisco Arrais/Prefeitura de Santos/Divulgação

PUBLICIDADE

Até a manhã desta quarta-feira, 1º, haviam sido registradas 1.962 visualizações do veleiro. A atração pode ser acessada a qualquer momento, mas a recomendação da prefeitura é de que a visualização seja feita à luz do dia para se obter uma imagem com melhor definição.

Além do acesso à imagem, reconstituída a partir de um retrato do navio feito pelo pintor Benedito Calixto, a pessoa visualiza um resumo da história da embarcação, disponível em português e inglês. A atração, de acesso gratuito, foi inaugurada no dia 28 de janeiro, durante as comemorações dos 477 anos de Santos.

Basta apontar o celular para o QR Code existente no local para ver o navio em 3D. Foto: Francisco Arrais/Prefeitura de Santos/Divulgação

A ideia de usar a realidade aumentada para projetar o veleiro original surgiu depois que estudo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) mostrou que a retirada dos destroços da praia poderia levar à deterioração do material. O Iphan transformou o local em sítio arqueológico e determinou sua preservação. Já o Ministério Público recomendou à prefeitura a sinalização dos destroços para evitar acidentes e a colocação de placa indicativa de bem histórico.

Conforme o secretário de municipal de Serviços Públicos, Wagner Ramos, a experiência com a realidade aumentada está servindo para valorizar a história do local. “Muitas pessoas que moram em Santos desconheciam a história e agora estão muito interessadas em saber tudo sobre o navio”, disse.

Os destroços do navio ressurgiram na praia e foram identificados por historiador. O local foi considerado sítio arqueológico pelo Iphan. Foto: Francisco Arrais/Prefeitura de Santos/Divulgação

Tempestade afundou embarcação que vinha da Europa

O veleiro britânico Kestrel, com três mastros para sustentar as velas, foi construído em 1871 com motores a vapor movidos a carvão. O navio era usado para transportar mercadorias através do Oceano Atlântico. Na última viagem, o Kestrel partiu da Europa para os Estados Unidos e, de Nova York, para o Brasil.

Publicidade

Em 11 de fevereiro de 1895, a embarcação estava ancorada em Santos quando foi atingida por uma tempestade tropical. A corrente da âncora arrebentou e o navio encalhou perto do Boqueirão. No momento do encalhe, estavam a bordo apenas o cozinheiro, um marinheiro e um ajudante. O capitão Cochrane e os demais membros da tripulação estavam em terra, pois o navio já tinha sido descarregado no porto.

Os restos da embarcação foram encobertos pela areia e só apareceram em 2017, devido ao movimento das marés, gerando uma onda de mistério e especulações sobre a origem do navio. A estrutura principal do barco está a três metros de profundidade. O veleiro foi identificado pelo historiador e presidente do Instituto Histórico de Santos, Sérgio Willians, que o reconheceu no quadro de Benedito Calixto, pintado no mesmo ano em que o navio encalhou.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.