Tarcísio defende ‘varrer a Enel’ de SP e afirma que empresa tem 'má vontade'
Governador fez coletiva de imprensa sobre os três anos de sua gestão. Crédito: Governo de SP
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira, 18, ser “impossível” a distribuição de energia na região metropolitana da capital “ficar pior” do que com a Enel.
Especialistas, porém, alertam: se o contrato de concessão continuar o mesmo, não há garantias de que a situação melhore com a troca da empresa. O vínculo com a multinacional italiana vai até 2028 e a dificuldade em encontrar um substituto para só dois anos de serviço também é vista como um empecilho.
A reportagem apurou que a aposta de Tarcísio é oferecer um ‘pacote de atração’: a nova operadora assumiria o passivo e os dois anos restantes da concessão atual já com a garantia de renovação automática por mais três décadas — somando 32 anos. Essa extensão até 2058 garantiria o interesse do mercado e facilitaria negociar mais investimentos na área da concessão.

Os termos para a renovação já preveem cláusulas que obrigam mais investimentos em modernização da rede elétrica e adaptação da infraestrutura diante de eventos climáticos. Também estipulam metas para o restabelecimento da energia em caso de apagão.
A interlocutores, Tarcísio tem mostrado entusiasmo com a ideia de substituição e citado empresas como Equatorial e Copel como possíveis interessadas em assumir o lugar da Enel.
O atual entrave nos planos do governador — além da própria Enel, que resiste em abrir mão da concessão e vender a operação em São Paulo — é a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Nesta semana, Tarcísio se reuniu, ao lado do ministro de Minas e Energia e do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), com um dos diretores da Aneel. No encontro, Gentil Nogueira de Sá Júnior se comprometeu a analisar o pedido de caducidade. Caso o processo não ande, o governador já planeja judicializar o processo. Não há, contudo, um prazo máximo que ele pretenda esperar antes de tomar a medida.
Nos bastidores, Tarcísio usa a composição acionária da Enel para reforçar sua defesa das privatizações. Ele argumenta que a ineficiência da companhia decorre justamente de ela não ser uma empresa 100% privada. O governo da Itália detém cerca de 24% das ações do grupo, o que, na visão do governador, traz as amarras do setor público para a gestão da distribuidora.






