Notas dos ônibus continuam abaixo da média, mostra pesquisa

Secretário dos Transportes afirma que ônibus não tem capacidade para resolver problemas de mobilidade sem rede metroviária

PUBLICIDADE

Por Juliana Diógenes
Atualização:

Atualizada às 23h24

PUBLICIDADE

SÃO PAULO - A pesquisa divulgada nesta terça-feira, 22, mostra que 8 de 10 notas que a população dá ao sistema de transporte coletivo da cidade melhoraram, mas ainda estão distantes do que é considerada a média - nota 5,5, em uma escala de 1 a 10. Duas tiveram queda em relação à pesquisa divulgada no ano passado. Mesmo no indicativo mais bem avaliado, “limpeza e conservação”, apenas 13% da população dá nota boa para o serviço. 

As pioras são nos quesitos “lotação”, que caiu de nota 3,4, no ano passado, para 2,8 neste ano, e “preço da passagem”, que foi de nota 4,6, em 2014, para 3,3 agora. A passagem de ônibus subiu, em janeiro, de R$ 3 para R$ 3,50.

Entre os indicadores que tiveram melhora estão “limpeza e conservação”, que passou de 4,8, no ano passado, para 5,4 neste ano; “cordialidade e respeito entre motoristas”, de 4,7 para 5,1; e “tempo de duração de viagem”, que foi de 4,2, no ano passado, para nota 4,7 em 2015.

A Prefeitura promete lançar, nos próximos dias, uma nova licitação para mudar todas as empresas de ônibus da cidade.

Tatto afirmou que 'agora que melhorou o ônibus, piorou o metrô' Foto: Márcio Fernandes/Estadão

Ao comentar as notas, o secretário de Transportes, Jilmar Tatto, culpou a falta de linhas de metrô, que é de responsabilidade estadual.“Do ponto de vista do conforto do usuário, (o que temos) é fazer com que ele fique menos tempo dentro no ônibus. Por que o ônibus está lotado? Por causa do metrô. O ônibus não consegue mais (atender à demanda). Em horários de pico, você tem ônibus de três em três minutos. Não adianta pôr mais ônibus. O viário não comporta.” 

O Metrô, por meio de nota, disse que o secretário estava “mal informado”, uma vez que a pesquisa não avalia “transporte por trilhos”. A empresa citou outro estudo, da Agência Nacional de Transporte Público (ANTP), que apontou que 64% dos paulistanos citam o metrô como melhor meio de transporte.

Publicidade

GCM. A gestão Haddad quer ampliar a fiscalização da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Ele quer que a GCM multe motoristas alcoolizados. Foi enviada uma minuta ao governo do Estado solicitando o convênio. O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) disser ser “a favor de iniciativas que ampliem a fiscalização”.

A diferença de oito minutos no tempo de deslocamentos diários entre o usuário de carro e o de transporte público, apontada na pesquisa, foi o que mais chamou a atenção de Tatto, que defendeu a maior adesão aos coletivos.

"Essa diferença (de oito minutos) eu deposito principalmente à instalação de faixas exclusivas de ônibus. São quase 500 quilômetros que foram feitos na cidade", afirmou.

PUBLICIDADE

Resposta. Em nota, a assessoria de imprensa do Metrô afirmou que "o secretário municipal dos transportes Jilmar Tatto parece estar mal informado em relação à avaliação do Metrô pela população de São Paulo. A Pesquisa de Mobilidade Urbana divulgada nesta terça pela Nossa São Paulo, feita pelo Ibope, não traz qualquer avaliação do transporte sobre trilhos". 

Ainda segundo a companhia, um "levantamento recente da ANTP (Agência Nacional de Transportes Públicos) revelou que os ônibus da capital continuam com a pior avaliação entre os principais meios de transporte. Já a pesquisa do Datafolha (de maio/2015) aponta que o Metrô foi escolhido por 64% dos paulistanos como o melhor meio de transporte em São Paulo". COLABOROU/RAFAEL ITALIANI

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.