Oito desafios para a São Paulo dos próximos anos | #Estadão150
Crédito: Edição: João Abel | Imagens: Bruno Nogueirão/Estadão e Motion Array
Em 2026, passageiros poderão acessar o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP), diretamente por meio de transporte sobre trilhos.
Semelhante a um metrô, mas com apenas dois vagões pequenos, o veículo leve sobre trilhos chamado de Aeromóvel People Mover vai ligar a Linha 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) aos terminais 1, 2 e 3 do aeroporto em até seis minutos.
O objetivo é substituir os atuais ônibus gratuitos que fazem esse trajeto, cujo trajeto completo leva cerca de 20 minutos, em média, a depender do trânsito, conforme a concessionária do aeroporto GRU Airport.
O aeromóvel faz conexão com a estação Aeroporto-Guarulhos, a última da 13-Jade. A linha de três estações (Engenheiro Goulart, Guarulhos Cecap e Aeroporto-Guarulhos) pode ser acessada pela Linha 12-Safira na estação Engenheiro Goulart.
Outra opção é utilizar o Expresso Aeroporto da CPTM. O serviço conecta as estações Aeroporto-Guarulhos e Palmeiras-Barra Funda, da Linha 3-Vermelha, passando pelas estações Luz (linhas 1-Azul, 4-Amarela, 10-Turquesa e 11-Coral) e Guarulhos Cecap.

O transporte já está em operação parcial, somente para funcionários do aeroporto, desde o início de dezembro. Segundo o consórcio AeroGRU, responsável pela obra e futura operação, a abertura ao público geral será nos primeiros meses de 2026.
Após uma vistoria ao transporte neste mês, o Ministério Público Federal (MPF), que fiscaliza o projeto, divulgou que a previsão de abertura aos passageiros já é em janeiro. O AeroGRU, porém, não confirmou a data. “Seguiremos expandindo a operação de forma faseada, contemplando todas as etapas de certificações de segurança internacionais”, informou em nota.

O aeromóvel tem capacidade para transportar até 200 pessoas. Já um metrô convencional na Grande São Paulo embarca até 1.600 por trem. Um ônibus, no entanto, consegue carregar no máximo 170 passageiros em seu maior modelo, o superarticulado.
A linha terá 2.731 metros, divididos em quatro estações. O trajeto completo leva cerca de seis minutos. Com seus dois trens, a previsão é transportar até 2 mil passageiros por hora em cada direção.

Assim como na Linha 4-Amarela do Metrô, o aeromóvel será automatizado, com direção remota via sala de controle, sem necessidade de um condutor no local. Também terá ar-condicionado e Wi-Fi.
O custo total do projeto é estimado em R$ 271,7 milhões, dividido entre governo federal e iniciativa privada.
Atrasos
A obra começou em janeiro de 2022. Conforme o contrato, a previsão era iniciar a operação a partir de janeiro de 2024. No ano passado, no entanto, esse prazo passou para fevereiro de 2025. Depois, para agosto de 2025. E, agora, para o início de 2026.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) chegou a abrir um processo administrativo para impor sanções à concessionária, que pode ser multada.
O consórcio AeroGRU diz que os atrasos se deram pela complexidade da obra e pela necessidade de conciliar as construções e testes do trem com as atividades diárias do aeroporto.
O projeto
O trem de Cumbica será o segundo sistema de transporte a utilizar a tecnologia do Automated People Mover (APM), conhecido como aeromóvel, no Brasil.
Em Porto Alegre, desde 2013, uma linha semelhante faz a ligação entre o Aeroporto Salgado Filho e uma estação do metrô local. O transporte, porém, está suspenso desde as enchentes em 2024 no Rio Grande do Sul, ainda sem data de retomada.

Diferente de outros people movers pelo mundo, o aeromóvel brasileiro é movido por propulsão pneumática, segundo a concessionária AeroGRU. Os vagões são leves porque não têm motores e se movimentam pelo empuxo do ar que circula em dutos localizados sob os trilhos. A tecnologia imita os barcos à vela, mas com vento artificial. O ar, empurrado por ventiladores potentes instalados na entrada dos dutos, faz com que os vagões se desloquem pelos trilhos.
As composições foram projetadas e construídas no Brasil, por meio de uma parceria da Aerom, empresa gaúcha que desenvolveu a tecnologia, e a Marcopolo Rail, especializada em modais sobre trilhos. Ambas integram o consórcio AeroGRU.
“O ar é responsável direto pelo deslocamento do veículo. Ventiladores têm a função de gerar a pressão do ar dentro desses dutos, mas não realizam tração mecânica. O movimento ocorre exclusivamente pela ação do ar pressurizado”, afirma o diretor de operações da Aerom, Eduardo Chrysostomo.
Por não usar combustão, o sistema é silencioso. Além disso, a eliminação de combustíveis fósseis ajuda a reduzir as emissões de carbono.








