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Cartilha da Fiocruz destaca saúde nas favelas numa perspectiva antirracista

Livro distribuído em comunidades do Rio aborda a busca de direitos sociais; ação é composta também por seminários

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Por Gonçalo Junior
Atualização:

A promoção da saúde vai além da prevenção às doenças. É um tema transversal que tem relação com direitos sociais, o combate à violência e o racismo estrutural. Essa ampliação da luta pelo direito à saúde é um dos pilares da cartilha Saúde na favela numa perspectiva antirracista, lançada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Movimento Negro Unificado, no Rio de Janeiro.

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Disponível nos formatos online e impresso, o livro aborda, entre outros temas, o direito à saúde, garantia de direitos, participação social e a atuação dos promotores; as diferenças estruturais entre favelas, conjuntos habitacionais e loteamentos clandestinos; racismo, crimes raciais e violência armada; além de violência obstétrica.

“O projeto propõe que a saúde vá além da ausência de doenças. O foco são os direitos que a periferia quer e como lutar por eles. A saúde tem relação com todos os capítulos da cartilha de forma transversal”, explica a professora Clarice Ávila, dirigente do Movimento Negro Unificado.

Fiocruz lança cartilha de saúde para ser distribuída nas comunidades do Rio Foto: Fiocruz

Produto da Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz, a cartilha será distribuída inicialmente em quatro grandes complexos de favelas do Rio: Vila Cruzeiro, Jacarezinho, Vila Kennedy e Mangueirinha. Essas regiões também são o foco inicial de outras ações que formam uma ampla campanha de promoção da saúde, com acolhimento, escuta ativa e enfoque antirracista.

Além da cartilha, a ação é composta por seminários sobre o tema do antirracismo a partir da promoção da saúde e da participação nas diversas instâncias do Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2023, foram dez ciclos formativos. A intenção dos organizadores é estender a distribuição para outras comunidades. Manguinhos e Maré, por exemplo, já demonstraram interesse.

Outra iniciativa é o documentário Saúde antirracista na favela, é possível?, produzido pela Fiocruz, em parceria com nove organizações da sociedade civil. O filme debate a construção de redes nos territórios e apresenta as perspectivas de diferentes categorias profissionais.

Representantes da Fiocruz, do Movimento Negro Unificado e de comunidades do Rio durante seminários de promoção à saúde Foto: Luiza Toschi/ Cooperação Social da Fiocruz

Leonardo Bueno, tecnologista em Saúde Pública da Fiocruz, afirma que há preocupação especial com a dimensão psicossocial e a saúde mental da população de periferias e favelas, que é majoritariamente negra (pretos e pardos). “Estamos dimensionando esse impacto, além dos impactos mais conhecidos dos homicídios e lesões corporais”.

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A partir desse trabalho, a intenção é consolidar o enfrentamento ao racismo em todos os cursos de pós-graduação, práticas de promoção e nas relações de trabalho e com a sociedade civil.

* Este conteúdo foi produzido em parceria com o Movimento Negro Unificado (MNU), organização pioneira na luta contra a discriminação racial no País

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