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Apesar da fase vermelha, centro de SP tem camelôs e comércio com porta aberta a meia altura

No 1º dia útil de restrição ampliada no Estado, ambulantes vendiam produtos não essenciais, como bonecas; lojas autorizadas a abrir relatam redução abrupta de clientes

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Por João Prata
Atualização:

Parte do comércio da cidade de São Paulo não parou de funcionar no 1º dia útil da fase vermelha, a mais restritiva do plano paulista de combate à covid-19. Além de ambulantes, muitas lojas sem autorização para abrir deixaram as portas a meia altura e colocaram os funcionários para trabalhar, para receber mercadorias, contar estoque e organizar vendas drive-thru. Entre aquelas lojas de serviços essenciais, como as de materiais de construção, os relatos eram de queda de faturamento.

Nas ruas do Brás, 25 de março e Santa Efigênia, na região central da cidade, ambulantes tentavam driblar a fiscalização para vender às poucas pessoas que circulavam nas ruas, a maioria sem máscara ou com o item de proteção no queixo. Os camelôs colocavam os produtos na calçada, anunciavam “bonecas LOL, homem-aranha e Bob Esponja”, mas logo tinham de recolher, pois apareciam funcionários da Vigilância Sanitária amparados pela Polícia Militar. Não houve tumulto. Enquanto a reportagem esteve nos locais na tarde de ontem, nenhum produto foi apreendido.

Fiscais da Vigilância Sanitária na Rua 25 de Março, no centro de São Paulo. Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

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No centro, a principal movimentação estava no entorno da Armarinhos Fernando. A loja tinha aval para abrir por comercializar itens essenciais, como álcool em gel, luvas cirúrgicas, máscaras e material de limpeza. Mas ali os consumidores buscavam outros produtos, como material escolar e brinquedos.

Ondamar Antonio Ferreira trabalha na loja matriz, na 25 de Março, há 33 anos, 19 como gerente. "Temos o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) modificado e autorizado pela Prefeitura para funcionar nesse período”, afirma.

Apesar do movimento intenso na loja, ele comentou que diminuiu muito em comparação aos dias sem restrições. “Como a maioria dos outros lojistas da região não possui a mesma autorização, tiveram de fechar. E isso também acaba nos prejudicando. O faturamento deve cair de 60% a 70% nestas duas próximas semanas, com certeza.”

Loja Armarinhos Fernado funcionou normalmente nesta segunda-feira, 8. Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

A despesa, ele diz, continuará a mesma. O quadro completo, com 215 funcionários, seguirá trabalhando normalmente. A expectativa de Ferreira é que as vendas melhorem nos próximos dias. “Por ser o primeiro dia útil, o movimento está muito baixo. Mas a gente acredita que nos próximos dias vai melhorar um pouquinho.”

Na Santa Efigênia, havia uma loja de eletrônicos aberta. A autorização da prefeitura, no caso, é dada pelo comércio de materiais de construção, como tomadas e interruptores. Mas o movimento era fraco. “Entra aqui. Dá para jogar futebol de tanto espaço que tem. Uma hora dessas (por volta das 16h), estaria cheia”, disse o gerente de uma loja que não quis se identificar. “80% dos funcionários ficaram em casa. Esperamos ter queda de vendas na mesma proporção”, disse.

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Muitas lojas abriram com a porta à meia altura, sem permitir a entrada dos consumidores. Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Muitos que não tinham aval para abrir também não dispensaram todos os funcionários. Lá dentro, empregados executavam funções como conferir estoque, além de contar e receber mercadoria. Mas bastava passar a fiscalização para, por via das dúvidas, fecharem totalmente a porta. Havia também lojas abertas com aviso de vendas drive thru: o consumidor não entrava na loja, mas podia comprar da calçada.

“Vai fotografar o (governador) João Doria. Deixa o chinês trabalhar, vai prejudicar o trabalhador honesto?", questionou um homem que passava pela calçada, ao notar o fotógrafo do Estadão, que registrava o comércio com a porta semi-aberta.

Loja aberta no pimeiro dia útil da fase vermelha do Plano São Paulo. Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Especialistas têm apontado a necessidade de ajuda financeira, como o auxílio emergencial (cuja 2ª rodada ainda não foi liberada pelo governo federal), para que haja condições financeiras de as pessoas cumprirem a quarentena e ficarem em casa.

Vigilância diz que autuou 231 estabelecimentos

CONTiNUA APÓS PUBLICIDADE

A Vigilância Sanitária Estadual informou, em nota, que inspecionou 3.759 estabelecimentos, entre a noite de sexta-feira e anteontem, em todo o Estado. Foram autuados 231 locais por desacordo com as normas, como falta de placas obrigatórias, falta de distanciamento social, aglomerações, funcionamento após o horário liberado e também por permitir consumidores sem máscaras dentro do estabelecimento.

Na capital, foram 148 estabelecimentos inspecionados e 19 autuados – sete fechados. As equipes percorreram bairros em várias regiões, como Itaim Bibi, Pinheiros, Paraíso, Moema, Morumbi, Penha, Jabaquara, Itaquera, entre outros. Procurada, a Vigilância não esclareceu se o comércio não essencial pode receber funcionários para recebimento de mercadorias ou checagem de estoque. 

As equipes sanitárias estaduais realizaram 204.956 inspeções e 3.988 autuações entre 1º de julho de 2020 e 7 de março de 2021, diante da constatação de aglomerações e da falta de uso de máscaras.

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Como denunciar

Além das blitze, as fiscalizações também podem acontecer por meio de denúncias. É possível registrar a queixa pelo telefone 0800 771 3541 ou pelo e-mail: secretarias@cvs.saude.sp.gov.br.

O descumprimento das regras prevê multa com base no Código Sanitário, que pode chegar a R$ 290 mil. Pela falta do uso de máscara, a multa é de R$ 5.278 por estabelecimento, para cada infrator. Pessoas em espaços coletivos também podem ser multados em R$ 551,00 pelo não uso da proteção facial.

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