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Toronto para além do óbvio: lugares para ver arte e comer bem

De hotel a galerias, tudo vira tendência nos bairros do oeste de Toronto. Enquanto isso, o leste ainda preserva o clima residencial, em meio a novas apostas gastronômicas

Por Monica Nobrega
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TORONTO - Toronto é uma velha conhecida, de quem tinha me habituado a lembrar como um lugar de prédios espelhados, logotipos de banco e gente de terno e salto alto, com respiros criativos em meio às construções de tijolinhos nos quarteirões dos bairros adjacentes ao centro. Mas no último outono, junto com a 10.ª edição de sua virada cultural, chamada Nuit Blanche como a de Paris que a inspira, Toronto mostrou que os focos isolados de criatividade que eu conhecia viraram polos expressivos de cultura pop, arte, comida boa, inspiração. E ganharam outros territórios.

Essa Toronto novidadeira tem focos no centro, mas se expande mesmo pelas bordas, em direção à periferia. Como ocorre em quase toda grande cidade, as cabeças cheias de ideias e com bolsos vazios fugiram dos aluguéis caros do centro. Na última década, o West End se consolidou como distrito alternativo de arte e design: um enclave de galerias tocadas por uma pessoa só, restaurantes pequenos, bares malucos, tudo acomodado em casas térreas e prédios baixos.LEIA MAIS: Contemple as Cataratas de Niagara de ângulos diferentes Fui apresentada à região pela guia Betty Ann Jordan, que conduz passeios a pé por preços que partem de 25 dólares canadenses por pessoa. Betty Ann usa como ponto de encontro o Hotel Drake (diária desde 199 dólares canadenses), um hub informal da Toronto hipster: além dos quartos todos diferentes entre si, tem bar, balada e mostras de artes plásticas.

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Adiante, o prédio de uma antiga escola pública foi transformado em um condomínio de ateliês, estúdios de design, escolas de música e teatro, oficina de pilates e ioga. Trata-se do Artscape Youngplace, que tem entrada gratuita e um café gracioso. Quando visitei o lugar, em destaque no jardim que dá para a rua estava o mural Sem Paredes Entre Nós, do ativista pelos direitos dos imigrantes Pablo Muñoz, de origem colombiana.

Em anos anteriores, imigrantes de renda modesta eram a maioria da população do West End. Também como costuma acontecer, o processo de gentrificação correu depressa no bairro, com aumento gradativo do custo de vida. No vizinho Little Portugal, há casas dessas de filme, grandes, com jardim bem cuidado e cerca baixa, à venda – entre elas, graciosas caixas de madeira convidam as pessoas a trocarem livros como parte do movimento Little Free Library.

Betty Ann conta que a especulação imobiliária é, hoje, um problema na cidade. Para ilustrar a fala, mostra reportagem de uma revista local que afirma que os preços de imóveis em Toronto estão com preços entre 40% e 70% inflacionados.LEIA MAIS: Canadá muda de cara em 2016; veja bons motivos para ir

Com isso, a expansão artística e cultural dá passos para ainda mais longe do centro. Na Dundas Street West, a fotógrafa Lisa Klapstock abriu a galeria Something to Think About, pequena e coletiva, que abrigava em outubro, duas semanas antes da votação que escolheu o novo primeiro-ministro do país – o agora pop Justin Trudeau – a mostra Vote, com trabalhos de duas dezenas de artistas. A maioria deles questionava uma certa guinada conservadora que o país deu na última década, sob o governo de Stephen Harper.

“É no Junction Triangle que a cidade está acontecendo agora”, disse Betty Ann, a caminho do bairro ainda mais afastado, que margeia a ferrovia. Ali, conhecemos a galerista Belinda Chun e sua linda Gallery House. Apenas uma das opções entre as portinhas de restaurantes, cafés e lojas que começam a criar, pouco a pouco, mais uma cena cultural em Toronto.

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Dumblings com camarão do Lockee Foto: Mônica Nóbrega|Estadão
Mural no Grafitti Alley Foto: Mônica Nóbrega|Estadão
Aquário de Toronto Foto: Mônica Nóbrega|Estadão
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