Como parte das comemorações dos 150 anos do Estadão, o jornal publica perfis de pessoas que devem ganhar projeção em diversas áreas de atuação nos próximos anos. A série, em texto e vídeo, apresenta nomes de diferentes locais do Brasil.
Nesta série, o Estadão olha para o futuro e convida o leitor a conhecer jovens que podem liderar as discussões sobre temas importantes para o desenvolvimento do País.
Os perfis integram os conteúdos do especial “Em Transformação”, dividido em sete eixos temáticos norteadores da cobertura do jornal neste ano. São eles: República, Economia, Tecnologia, Terra, São Paulo, Viver e Estadão e o Jornalismo.
Leia os perfis
Mikaela Gomes
Desde muito cedo, a exuberância de formas e cores atrai Mikaela Gomes, de 25 anos. Nascida em Tracunhaém, município da Zona da Mata pernambucana a cerca de 60 quilômetros do Recife, quando pequena ela se dividia entre brincadeiras comuns a crianças do interior – como subir em árvore, catar fruta, jogar bola na rua — e a cultura popular.
O maracatu e a figura do caboclo de lança são dois grandes símbolos da região. A roupa brilhante do personagem, uma “tia estilosa” e um desfile da fashion week paulistana foram inspirações suficientes para que Mikaela soubesse desde cedo que seu futuro seria nas passarelas.
Hoje, a modelo vive em São Paulo e se divide entre desfiles, ensaios fotográficos e a produção de conteúdo para as redes sociais. Neste último, ela retrata, com muito bom humor, o lado às vezes nem tão glamouroso da profissão, detalhes de seu cotidiano na capital paulista e gostos pessoais para seus mais de 300 mil seguidores no Instagram.
Veja a história dela no vídeo abaixo e confira o perfil completo.
Mikaela Gomes saiu do interior de Pernambuco para conquistar passarelas em São Paulo e na Europa
Crédito: Edição: Beatriz Souza
Helena Laurino
Desde muito pequena, Helena Laurino, de 13 anos, convive com o universo do esporte. Filha de Cristiano Laurino, médico ortopedista especializado em atletas de alto rendimento, ainda na primeira infância ela foi apresentada a modalidades como natação, atletismo e patinação - esta última despertou sua curiosidade pelo skate, quando ela tinha apenas 8 anos.
Em pouco tempo, Helena estava apta a participar das competições internas do Clube Pinheiros. Depois de fisgar o pódio logo nos primeiros torneios infantis do clube, a menina passou a contar com o incentivo do pai.
A rápida evolução logo a levou às pistas profissionais. Hoje com títulos de competições do circuito nacional no currículo, Helena é uma das jovens promessas do esporte.
Confira a história dela no vídeo abaixo e o perfil completo.
Com apenas 13 anos, Helena Laurino desponta como uma das promessas da próxima geração do skate
Crédito: Edição: João Abel
Ester Carro
Desde muito cedo as diferenças sociais mobilizam Ester Carro, de 30 anos. Principalmente as referentes à moradia. Nascida e criada no Jardim Colombo, uma das comunidades do complexo de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, quando criança ela admirava, pela janela do ônibus, os condomínios de alto padrão da região do Morumbi enquanto ouvia os comentários do pai, que era pedreiro, sobre as obras em que havia trabalhado. Ali, ela já percebia os contrastes entre as habitações luxuosas e as casas humildes de sua vizinhança.
Esse e outros incômodos fizeram com que Ester decidisse, aos 16 anos, tornar-se arquiteta. Hoje, ela está à frente do Fazendinhando, projeto premiado que revitaliza espaços públicos e promove reformas nas moradias precárias da região. A experiência virou tema de mestrado e agora ela se prepara para um período de estudos para o doutorado no exterior.
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Ester Carro enxergou na arquitetura uma forma de trazer cidadania para a população de sua comunidade
Crédito: Edição: Beatriz Souza
Jahzara Oná
Em janeiro de 2025, o Jardim Pantanal, na zona leste de São Paulo, passou mais de uma semana submerso após uma enchente devastadora. Desde os anos 1980, a região convive com alagamentos frequentes que, nos últimos anos, tornaram-se mais intensos e rápidos, reflexo direto da crise climática.
Foi ali que nasceu e cresceu Jahzara Oná, ativista que representa o Brasil em conferências internacionais sobre mudanças climáticas. Aos 21 anos, ela defende os interesses da juventude global em espaços como a ONU, com o objetivo de evitar que episódios como o que atingiu seu bairro se repitam com ainda mais frequência.
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Quem é Jahzara Oná, ativista do Jardim Pantanal que leva a periferia para as Conferências do Clima
Jovem fez parte do Fridays for Future, movimento popularizado por Greta Thunberg, e quer levar experiência no ativismo ambiental até Brasília. Crédito: Amanda Botelho e Vitor Zanon
Felipe Storch
“O céu ficava nublado, mas não era de chuva.” Uma das memórias da infância de Felipe Storch é perder dias de aula por causa das queimadas ao redor de Rio Branco, no Acre, onde morava. Aos 31 anos e com um mestrado em uma das instituições mais respeitadas do mundo, hoje ele busca formas de articular comunidades, Estado e iniciativa privada para o uso sustentável da floresta.
Sua trajetória mudou radicalmente em 2010, no segundo ano do ensino médio, quando conheceu o programa Jovens Embaixadores, da Embaixada dos Estados Unidos. Selecionado, teve a chance de conhecer a então primeira-dama, Michelle Obama, uma de suas inspirações
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Da Amazônia para Yale, Felipe Storch aposta na bioeconomia para proteger a floresta
Economista foi para os EUA pesquisar mecanismos de compensação pela conservação. Aos 31 anos, ele faz parte da série ‘Nomes para ficar de Olho; veja perfil. Crédito: Amanda Botelho e Vitor Zanon
Rayane Pacheco
Em novembro, a Conferência do Clima (COP 30) será realizada no Pará, e o mundo estará atento aos desafios e soluções que envolvem a floresta. É de lá que vem Rayane Pacheco, pesquisadora de 32 anos que tem se dedicado a desenvolver soluções baseadas em dados, tecnologia e políticas públicas para a região. Pelo conjunto de seu trabalho, ela conquistou uma das bolsas de pesquisa mais prestigiadas do mundo, na Universidade de Bristol, no Reino Unido.
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Pesquisadora no Reino Unido, Rayane Pacheco quer destravar os gargalos do Código Florestal
Paraense usa a tecnologia para automatizar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e preservar a floresta. Crédito: Amanda Botelho e Vitor Zanon
Daniel Stilck França
Os computadores quânticos, máquinas ultrapoderosas capazes de resolver operações complexas em poucos segundos, são uma das grandes promessas da tecnologia. Na vanguarda da pesquisa para encontrar usos para essas máquinas e ajudar a viabilizar aplicações reais, está um pesquisador brasileiro, o professor da Universidade de Copenhagen Daniel Stilck França, de 33 anos.
Filho de um professor de Matemática, Daniel iniciou sua graduação na Universidade de São Paulo (USP) e concluiu o curso na Universidade Técnica de Munique, após receber uma bolsa. Foi na Alemanha também que fez pós-graduação e mestrado.
Hoje, Daniel França é professor no Departamento de Matemática da Universidade de Copenhague, além de atuar no Quantum for Life - centro interdisciplinar para pesquisa quântica de moléculas financiado pela Novo Nordisk. Recentemente, ele também recebeu uma bolsa do European Research Council para acelerar o desenvolvimento da computação quântica nos próximos anos por meio de novos algoritmos capazes de lidar melhor com o ruído, nome dado aos erros que afetam os cálculos das máquinas, gerando resultados diferentes do esperado.
Veja a história dele no vídeo abaixo e confira o perfil completo.
Daniel Stilck França quer levar a computação quântica da ficção científica para a realidade
Heloisy Rodrigues
Em 2022, as mulheres eram apenas 22% dos formandos em cursos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No campo da computação, o número era ainda pior: elas respondiam por apenas 15%. Heloisy Rodrigues, de 25 anos, a primeira mulher a se formar em inteligência artificial (IA) no Brasil, está determinada a mudar esse quadro.
Na turma inaugural - a mesma de Heloisy - na Universidade Federal de Goiás (UFG), das 40 vagas no curso de IA, apenas quatro foram ocupadas por mulheres. “Quando entrei, sabia que, por ser de Exatas, seriam poucas meninas. Mas eu nunca esperei que seria a única a me formar”, conta. “Quando estava na colação de grau, uma caloura que nem conhecia disse ‘nossa, Heloisy, você é minha inspiração’. Foi lá que caiu a ficha: agora, eu vou inspirar outras meninas”, afirma. “Eu me sinto muito honrada de ter esse papel e não pretendo abandoná-lo tão cedo.” Veja a história dela no vídeo abaixo e no perfil completo.
Primeira formada em IA no Brasil, Heloisy Rodrigues quer trazer mais mulheres para a área
Nicholas Kluge
Foi na Alemanha que o gaúcho Nicholas Kluge, de 36 anos, deixou de ser apenas skatista para se tornar um dos mais promissores pesquisadores brasileiros de inteligência artificial (IA) ao desenvolver o Tucano, um dos poucos modelos de linguagem especializados em português do nosso País.
Sua primeira graduação foi em Educação Física, movido pela paixão pelo esporte que consagrou nomes como Rayssa Leal. “Eu gostava muito de Educação Física. Ando de skate, queria andar de skate para a toda a vida, mas o corpo não aguenta”, conta ao Estadão da Universidade de Bonn, na Alemanha, onde é pesquisador de pós-doutorado.
Foi durante o curso de Educação Física que Nicholas descobriu o interesse pela Engenharia, em um grupo de pesquisa sobre biomecânica espacial, estudando o movimento do corpo humano em situações de gravidade reduzida.
Já no mestrado, conciliou seus interesses com uma tese que usava redes neurais para classificar manobras de skate como nollies, shoves e ollies, aproveitando o interesse gerado pela inclusão do esporte no programa olímpico. Veja a história dele no vídeo abaixo e no perfil completo.
Nicholas Kluge trocou o skate pela IA para desenvolver modelos de linguagem brasileiros
Gabriel Liguori
Aos sete dias de vida, Gabriel Liguori foi parar no Instituto do Coração (InCor), onde foi diagnosticado com cardiopatia congênita. Aos 2 anos, foi submetido a uma cirurgia, e a rotina de hospitais e internações deu origem a uma vocação: ele decidiu que seria médico e estudaria... cardiologia, claro. O plano ia bem até Liguori se deparar com a área de engenharia de tecidos, que é, grosso modo, a criação de tecidos humanos em laboratório. Resolveu, então, que seria empreendedor e criou a TissueLabs em 2019.
O plano do médico de 34 anos é, um dia, fabricar um coração artificial e, quem sabe minimizar a espera por transplantes no País. Ele, que entrou na lista de jovens inovadores na América Latina publicada pelo Massachussetts Institute of Technology (MIT), já trabalha com bioimpressoras, mas ressalta que o caminho até o coração artificial batendo dentro de algum peito é longo. Veja a história dele no vídeo abaixo e confira o perfil completo.
Gabriel Liguori foi parar no InCor aos 7 dias de vida e agora quer imprimir um coração
Aos 34 anos, médico trabalha com bioimpressoras para, no futuro, chegar a um coração artificial.
Iane Cabral
Por trás da startup de biotecnologia Plasma está uma artista que cruza fronteiras entre moda, tecnologia e sustentabilidade. Aos 35 anos, Iane Cabral — CEO e líder de inovação da empresa — transforma distopias imaginadas em soluções tangíveis, desenvolvendo biotecidos a partir de bactérias em processos que unem arte, ciência e meio ambiente.
“O objetivo, na prática, é cocriar com a natureza, enxergando essas bactérias não como algo negativo, mas como parceiras de inovação”, explica Iane. A trajetória da Plasma teve início como um projeto artístico. O buraco na camada de ozônio estava na pauta de discussão dos grandes problemas ambientais do mundo no início do século. Surgiu a ideia, então, da criação de produtos que respondessem aos impactos dessa catástrofe ambiental, como bolsas capazes de parametrizar a radiação solar e chapéus feitos com tecidos que bloqueiam raios UV. Confira a história dela no vídeo abaixo e o perfil completo.
Biotecidos feitos a partir de bactérias são o futuro da moda? Para Iane Cabral, sim
Empreendedora quer substituir métodos tradicionais de produção têxtil por processos mais ecológicos e eficientes.
Tomás Covas
Tomás Covas, de 19 anos, cursa o primeiro semestre de Direito no Ibmec e tem no horizonte de trabalho não a advocacia ou a magistratura, mas o exercício de um cargo eletivo. É filho do ex-prefeito Bruno Covas e bisneto do ex-governador de São Paulo e um dos fundadores do PSDB, Mario Covas.
Com a bênção do prefeito Ricardo Nunes (MDB), é pré-candidato a deputado estadual por São Paulo. Filiado ao PSDB, não sabe se permanecerá no partido até a eleição de 2026. Veja no vídeo abaixo e confira o perfil completo.
Manuella Mirella
A estudante Manuella Mirella, de 28 anos, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), é a primeira mulher negra e nordestina a presidir a entidade estudantil. É formada em Química pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e cursa Engenharia Ambiental na FMU.
Filiada ao PCdoB, Manuella não esconde que a presença em espaços institucionais e de disputa de poder a deixam animada, ainda mais com o histórico de ex-presidentes da UNE que migraram para a política institucional. Mas é cautelosa em relação às pretensões para o futuro. Veja no vídeo abaixo e confira o perfil completo.
Thiago Süssekind
Bacharel em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e mestrando em políticas públicas na Universidade de Oxford, Thiago Süssekind, de 25 anos, se engajou cedo na luta política. Foi líder da divisão estadual do Movimento Acredito no Rio, uma das muitas iniciativas de renovação política que surgiram no Brasil pós-junho de 2013.
Ele já foi um franco apoiador do progressismo liberal, ou liberalismo igualitário, mas diz ter ficado mais “consequencialista” e menos apegado às definições políticas. Veja no vídeo abaixo e confira o perfil completo.
Especial ‘Em Transformação’
O especial “Em Transformação” apresenta especiais multimídia, entrevistas, vídeos, editoriais e eventos temáticos, além de cadernos impressos, para detalhar os temas escolhidos, que são:
- República: um olhar sobre o sistema de governo que sustenta a sociedade brasileira, o futuro da política nacional e os caminhos das forças políticas.
- Economia: as perspectivas econômicas movem este eixo, numa investigação do que precisa ser feito para que o País avance mais.
- Terra: soluções para a emergência climática, tendo em perspectiva a COP-30 em Belém, estarão no centro deste especial.
- Tecnologia: um amplo mapa das grandes tendências digitais e das transformações causadas pelos avanços tecnológicos na vida da sociedade e na rotina das empresas (das gigantes às startups).
- São Paulo: o que precisa ser feito para que a capital paulista seja uma cidade melhor, e quais as mudanças urbanísticas necessárias para mais mobilidade e mais qualidade de vida.
- Viver: eixo que trata da busca por alternativas para uma vida melhor, não só nas saúdes física e mental, como também na ideia mais ampla de bem-estar.
- Estadão e Jornalismo: uma reflexão sobre a história do jornal nestes 150 anos, a evolução do jornalismo nesse período e o futuro da imprensa e do consumo de informação.








