Pastore: franqueza e independência ganharam confiança de credores na negociação da dívida externa

Affonso Celso Pastore [1939-2024] conduziu negociações internacionais difíceis quando presidiu o Banco Central do Brasil

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Por Edmundo Leite
Atualização:
Affonso Celso Pastore em 1984, quando era presidente do Banco Central do Brasil.  Foto: Estadão Conteúdo

De aluno brilhante a um dos principais cargos da área econômica do Brasil, Affonso Celso Pastore aparece no noticiário do Estadão desde 1960. Primeiro como integrante do movimento estudantil, depois como aluno premiado de economia, o nome de Pastore logo estaria nas páginas econômicas do jornal em diversos momentos.

O principal deles quando foi presidente do Banco Central do Brasil, na década de 1980, período em que a dívida externa brasileira atingia níveis astronômicos e era uma questão do dia a dia dos brasileiros, não se restringindo aos círculos econômicos especializados.

Estadão - 24 de julho de 1984

Affonso Celso Pastore no Estadão. Foto: Acervo Estadão

Estadão - 5 de julho de 1984

Affonso Celso Pastore no Estadão. Foto: Acervo Estadão

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Com Pastore à frente de duras negociações com o FMI [Fundo Monetário Internacional], bancos estrangeiros e outras instituições e países, Pastore se tornou um daqueles casos de economistas cujos nomes caem na boca do povo, por estarem sempre nas manchetes dos diversos meios de comunicação.

Ex-discípulo do economista Delfim Netto, Pastore mostrou em sua gestão no Banco Central que tinha brilho próprio e independência, ganhando a confiança dos mais diversos interlocutores, como mostrou reportagem do Estadão em 28 de outubro de 1984.

“Em pouco mais de um ano, Affonso Celso Pastore desfez a imagem de “delfim boy”, conseguindo até que o banco não participasse do pacto contra a inflação da Seplan. Pouco a pouco ele também obteve o comando da negociação da dívida externa e a confiança dos banqueiros, com os quais volta a discutir no próximo dia 5”, contava a chamada de capa do jornal intitulada “Pastore, de confiança”.

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Na página interna, o texto de Maria Cecília Teixeira detalhava:

Ao assumir a presidência do Banco Central, dia 5 de setembro do ano passado, Affonso Celso Pastore era considerado mais um “delfim boy”. Mas o tempo se encarregou de mostrar que essa definição apressada não era correta: aos poucos foi assumindo o comando das negociações com o FMI e com a comunidade financeira internacional (...) além de conquistar os banqueiros internacionais com seu estilo franco e confiante”.

(...) Affonso Celso Pastores teve sucesso nessa negociação usando seu estilo direto e franco. Aqueles que o conhecem melhor garantem que ele não sabe mentir e que é inflexível quanto às suas convicções, das quais dificilmente abre mão.

Graças a essa maneira de ser, Pastore mantém grande respeito pelo ministro Delfim Netto, com quem trabalhou a maior parte de sua vida pública. No entanto, garantem os amigos, o presidente do Banco Central é capaz de brigar com Delfim, se for necessário, para defender suas idéias. Essa independência foi comprovada, de acordo com os observadores, na questão da compatibilização do pacto antiinflação, de autoria do ministro, e as altas taxas do open market.” [leia a íntegra]

Estadão - 28 de outubro de 1984

Affonso Celso Pastore no Estadão. Foto: Acervo Estadão

Estadão - 5 de julho de 1984

Affonso Celso Pastore no Estadão. Foto: Acervo Estadão

Depois que saiu dos cargos executivos governamentais, Pastore continuou como uma importante voz ativa - e escutada - na análise econômica, formulando questionamentos, estudos e análises como entrevistado, professor, consultor e articulista.

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Relembre algumas passagens da trajetória de Affonso Celso Pastore nas páginas do Estadão:

Estadão - 15 de março de 1987

Affonso Celso Pastore no Estadão. Foto: Acervo Estadão

Estadão - 20 de janeiro de 1985

Affonso Celso Pastore no Estadão. Foto: Acervo Estadão
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