A popularidade do presidente Donald Trump entre os eleitores latinos não está apenas diminuindo, está despencando em um ritmo muito mais acelerado do que entre a população em geral.
Se continuar, essa tendência poderá configurar um grande problema para Trump e seu Partido Republicano nas eleições de meio de mandato no ano que vem.
Uma nova pesquisa do Pew Research Center mostra que o índice de aprovação de Trump entre os hispânicos caiu de 46% na eleição de novembro para 27% atualmente.
Outra nova pesquisa, da CNN, constata o apoio latino a Trump em 28%, enquanto uma pesquisa YouGov/Economist o coloca em 32%. Em comparação, pesquisas mostram que o apoio a Trump entre a população americana em geral varia de 40% a 44%.
Mesmo na Flórida, que se tornou um reduto republicano nos últimos anos, 61% dos eleitores hispânicos, muitos deles cubanos e venezuelanos, desaprovam o presidente, de acordo com uma pesquisa da ONG UnidosUS.
Hispânicos em todo o país foram afetados desproporcionalmente pelo enfraquecimento da economia desde que Trump lançou sua guerra comercial. Muitos latinos trabalham em agricultura, construção e outros empregos de baixa remuneração. Isso significa que eles não conseguem poupar muito para lidar com crises econômicas.
A vice-presidente da UnidosUS, Clarissa Martínez de Castro, me disse que os latinos consideram a inflação, os baixos salários, os custos da moradia, os custos da saúde e a imigração, nesta ordem, suas principais preocupações.
'Um Trump no meio do caminho'
Muitos hispânicos votaram em Trump esperando que ele baixasse os preços dos alimentos e agora estão decepcionados com a falta de resultados, me disse Martínez de Castro.
Para piorar a situação, muitos latinos que trabalham em restaurantes e hotéis estão sendo afetados pela queda no turismo internacional desde que Trump anunciou suas tarifas.
O número de turistas canadenses, por exemplo, despencou porque muitos canadenses estão furiosos não apenas com as tarifas de Trump, mas também com suas declarações propondo tornar o Canadá “o 51.º Estado dos Estados Unidos”.
Além disso, pelo que vejo em Miami, alguns cubanos, venezuelanos e centro-americanos que até recentemente apoiavam Trump agora estão indignados com suas deportações indiscriminadas.
Muitos deles aplaudiram as promessas de Trump de deportar criminosos e até imigrantes indocumentados, mas nunca acreditaram que ele deportaria pessoas que vivessem legalmente no país.
Atualmente muitos hispânicos com cidadania americana têm parentes ou conhecidos que residem temporariamente ou buscam asilo político nos EUA, e o governo Trump emitiu ordens de deportação para esses indivíduos. Outros não conseguem encontrar funcionários para seus pequenos negócios, babás para seus filhos ou cuidadores para seus pais idosos.
Além disso, quase diariamente surgem novas manchetes sobre deportações de imigrantes que, ao contrário de Trump, nunca foram condenados por nenhum crime, mas acabam deportados para Cuba, Venezuela ou El Salvador.
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Heidy Sánchez, por exemplo, uma mãe de 44 anos, que vivia em Tampa, casada com um cidadão americano, foi separada de sua filha de 1 ano e deportada para Cuba em 24 de abril.
“É uma situação muito triste e, eu diria, desnecessária”, disse-me o arcebispo de Miami, Thomas Wenski. “A grande maioria dos imigrantes é de pessoas boas, que estão aqui apenas para ganhar a vida e contribuir para o bem-estar do país.”
Além disso, Trump afirmou que os imigrantes “estão envenenando o sangue do nosso país” e recentemente mudou o nome do Golfo do México para “Golfo da América” e declarou sua intenção de que os EUA retomem o controle do Canal do Panamá.
O pesquisador democrata Fernand Amandi me disse que será muito difícil para Trump reconquistar os eleitores latinos que está perdendo.
“Ele teria que reverter tudo o que constitui a base da sua identidade, o que daria lugar a uma rebelião de sua base política”, disse-me Amandi. “É improvável que ele faça isso.”
Eu concordo. Se os democratas se concentrarem na economia e evitarem o erro de 2024 de adotar uma agenda progressista “lacradora”, muitos latinos provavelmente dirão “adiós” aos republicanos em 2026. / TRADUÇÃO DE GUILHERME RUSSO