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‘A mobilidade elétrica é a revolução industrial 4.0′, afirma representante da ONU

Desafios e soluções para a descarbonização dos meios de transporte foram tema de debate durante o Summit Mobilidade 2023, evento organizado pelo ‘Estadão’, nesta quarta-feira, 31

Por Guilherme Santiago

A transição para a mobilidade elétrica é um dos pilares da revolução industrial 4.0. É o que afirmou Gustau Máñez Gomis, representante no Brasil do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, durante a abertura do Summit Mobilidade 2023, evento promovido pelo Estadão nesta quarta-feira, 31. Ele defende que a descarbonização dos meios de transporte é uma oportunidade em direção a um futuro mais sustentável e tal oportunidade está expressa nas transformações da indústria.

Segundo Gomis, ao passo que os veículos elétricos se multiplicam em todo o mundo, a expectativa é que a fabricação de veículos a combustão diminua em mais de 20% na próxima década. A fabricante Volvo, por exemplo, prevê que 50% de toda a sua produção até 2025 seja de veículos elétricos. Para o mesmo ano, a Mercedes espera que todos os seus veículos sejam movidos a eletricidade.

“Não é uma questão de futuro; é uma questão de agora. É preciso investir. Não podemos deixar essa transformação para o futuro”, afirma Gomis. No Brasil, no entanto, ele acredita que ainda falta um projeto nacional para a promoção da mobilidade elétrica.

Gomis defende que a descarbonização dos meios de transporte é uma oportunidade em direção a um futuro mais sustentável Foto: Summit Mobilidade/Estadão

Política nacional

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“Precisamos de uma política nacional com incentivos, metas e normas-padrão em consonância com países vizinhos para fomentar a transição”, afirma. É o caso do Chile, ele lembra, que adota uma política para não haver venda de motores a combustão até 2030, ou da União Europeia, que tem a expectativa de alcançar esse objetivo até 2025.

É preciso, na visão de Gomis, “um pacto de Estado”, que passa por órgãos municipais, estaduais e federais. “Prefeituras e governos locais que controlam as frotas de transporte público têm papel fundamental para a mobilidade elétrica, trocando seus ônibus por ônibus elétricos. Isso vai fazer com que a tecnologia elétrica seja muito mais democrática”, afirma.

Summit é realizado pelo Estadão nesta quarta-feira, 31 Foto: Felipe Rau/Estadão

Para Gilberto Perre, secretário executivo da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), que também participou do evento, essa preocupação já existe. “Prefeitos e prefeitas estão convencidos que essa é uma pauta estratégica”, defende.

Entretanto, ele avalia que apenas a conscientização não é suficiente; falta governança para colocar isso na agenda do País. “O Brasil é um país federado, com decisões compartilhadas em diversas políticas públicas”, diz. “No transporte, infelizmente, não temos um sistema articulado de tomada de decisão.”

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“O País precisa de um sistema único de transporte para oferecer obrigações compartilhadas entre governo federal, governadores e prefeitos, como o SUS (é na área da saúde).”

Caminhos para a transição

A mudança para meios de transporte mais sustentáveis “não precisa ser uma transição disruptiva”, segundo João Irineu Medeiros, vice-presidente de Assuntos Regulatórios da Stellantis para a América do Sul. “Temos uma grande oportunidade de fazer uma transição de forma equilibrada, que gere valor e qualidade de vida.”

Uma das possibilidades está no etanol, um diferencial que o Brasil possui para descarbonizar. Segundo Medeiros, existem mais de 42 mil postos de combustível espalhados pelo País e atingir esse patamar para veículos elétricos exige tempo e investimento - o que tornaria a transição mais demorada.

Ele defende que o etanol e tecnologias híbridas (desde aquelas com menor custo até as de custo médio) sejam a prioridade, visto que veículos híbridos não dependem de postos de recargas. “Sem depender de postos de recarga e desenvolvendo bateria de lítio, a gente consegue fazer essa passagem sem depender de grandes infraestruturas”, afirma. “Países ricos vão fazer essa transição mais rápido, mas é possível fazer de forma gradual.”

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