Maceió atualiza velocidade do afundamento da mina da Braskem: ‘Não dá para baixar a guarda’

Ritmo de deslocamento cai para 0,4 centímetro por hora, mas Defesa Civil afirma que não é possível afastar risco de colapso

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Por Renata Okumura
Atualização:
5 min de leitura

Embora o afundamento do solo da mina 18 da Braskem, em Maceió, Alagoas, ter reduzido a velocidade desde domingo, 3, o coordenador do centro de monitoramento da Defesa Civil de Maceió, Hugo Carvalho, disse à Rádio Eldorado que não é o momento ainda de baixar a guarda. O órgão permanece em alerta máximo, devido ao risco iminente de colapso da área, na região do antigo campo do clube CSA, no bairro de Mutange.

Na manhã desta segunda-feira, 4, o monitoramento apontava que o deslocamento vertical apresentava ritmo de 0,3 cm a 0,4 cm por hora, o mesmo registrado no dia anterior. Os dados representam uma desaceleração em comparação aos dados de sábado, 2, (0,7 cm/hora), e sexta-feira, 1º, (2,6 cm/hora). Anteriormente, a velocidade chegou a 5 centímetros por hora em fases mais críticas.

“A velocidade diminuiu. Estamos na casa de 0,3 e 0,4 centímetros por hora. Fica variando entre esses valores. No entanto, não é hora ainda de baixar a guarda. Estamos sempre atentos aos dados recebidos em tempo real”, afirmou ele.

Na quarta-feira passada, 29, o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), decretou estado de emergência por 180 dias na capital de Alagoas, após alerta para risco iminente de colapso da mina 18 da Braskem. A gestão municipal tem alertado para tremores de terra na região nos últimos dias.

Segundo Carvalho, a área de risco já está totalmente esvaziada. “Mutange é um bairro específico do município de Maceió. A área do entorno está totalmente evacuada, inclusive traçamos um perímetro que estamos falando que é seguro para a população. A recomendação da Defesa Civil de Maceió é evitar transitar pela área evacuada, pois ainda há o risco de iminente de colapso da mina 18. Por mais que tenha sido esvaziada, o ideal é evitar transitar por áreas próximas”, recomenda ele.

Ainda de acordo com o coordenador da Defesa Civil de Maceió, ainda não é possível dizer se esta região poderá ser ocupada novamente no futuro. “Com base nos dados atuais, seria inviável a volta dessas pessoas. Claro, se a gente perceber estabilização do terreno, pois a natureza tem o tempo dela, podemos reavaliar. Fazemos esse monitoramento em tempo real.”

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Em nota divulgada no início da tarde desta segunda-feira, a Braskem confirma que a velocidade de acomodação do solo no entorno da mina 18 vem diminuindo nos últimos dias, de acordo com informações divulgadas em notas da Defesa Civil de Maceió e do Ministério das Minas e Energia. A Defesa Civil também informou que não houve mais registro de microssismos.

“No entanto, todas as medidas de prevenção e segurança das pessoas devem ser respeitadas. As áreas de serviço da Braskem em torno da mina 18 continuam isoladas, e o monitoramento feito 24 horas por dia segue sendo compartilhado com as autoridades.”

Umas das entradas da chamada Mina 18 onde fica o terreno que está cedendo dia a dia. Muitos bairros estão sendo afetados pela extração de décadas de sal-gema pela mineradora Braskem.  Foto: Tiago Queiroz/Estadão - Foto: 03/12/23

Entenda a situação

Os problemas em Maceió começaram em 3 de março de 2018, quando um tremor de terra causou rachaduras em ruas e casas e o afundamento do solo em cinco bairros: Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e em uma parte do Farol. Mais de 55 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas naquele ano. A petroquímica realizava a extração do minério na capital alagoana em 35 minas.

Em novembro de 2019, a empresa decidiu propor a remoção preventiva dos moradores e a criação da Área de Resguardo. Esse local fica na área dos 35 poços de sal que eram operados nos bairros e já estavam desde maio do mesmo ano paralisados. Foi quando, em novembro de 2019, a Braskem também anunciou o encerramento definitivo da extração do minério na região. No total, mais de 200 mil pessoas foram afetadas pelo desastre.

As 35 minas da companhia começaram a ser fechadas ainda em 2019, depois que a empresa foi responsabilizada pelo surgimento de rachaduras em casas e ruas de alguns bairros de Maceió no ano anterior. O abalo foi causado pelo deslocamento do subsolo causado pela extração de sal-gema, um cloreto de sódio que é utilizado para produzir soda cáustica e policloreto de vinila (PVC), pela Braskem. A fabricação na região teve início em 1976.

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Com o registro de novos tremores, as atividades na Área de Resguardo foram paralisadas. Os sismos sentidos nos últimos dias foram registrados em áreas já desocupadas. Por segurança, a Defesa Civil recomenda que seja evitada a circulação de pessoas e de embarcações na lagoa perto de Mutange.

Essas minas são como cavernas que ficam sob uma lagoa. O topo dessas cavernas pode colapsar a qualquer momento. Os possíveis impactos ambientais são imprevisíveis.

A mina em risco tem 85 metros de largura e está a 1,1 mil metros de profundidade, segundo estudo do Serviço Geológico do Brasil. A catástrofe pode ser ainda maior, visto que outras duas minas, a de número 7 e a 19, estão bem próximas da 18.

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