PUBLICIDADE

Chanceler sai e abre crise para primeira-ministra da Austrália

Por JAMES GRUBEL
Atualização:

O chanceler da Austrália, Kevin Rudd, renunciou na quarta-feira, dizendo que não pode mais trabalhar com a primeira-ministra Julia Gillard, e abrindo uma nova e acirrada crise no governo minoritário por ela comandado. Gillard destronou Rudd da liderança do Partido Trabalhista em 2010, e desde então ambos mantêm uma disputa de poder que rachou o partido e fez com que a popularidade do governo despencasse. Fontes partidárias disseram que, embora Rudd seja mais popular junto ao eleitorado, Gillard tem mais apoio entre os trabalhistas, e por isso deve ser facilmente reconduzida à liderança partidária, numa votação que pode acontecer já na semana que vem. Há poucas diferenças políticas entre os dois dirigentes, mas a disputa -chamada por Rudd de "novela"- ameaça levar a uma eleição antecipada e à derrota da agenda econômica trabalhista -que inclui importantes leis sobre mineração e mudança climática. Vários ministros nos últimos dias vinham aconselhando Gillard a demitir Rudd devido à crescente animosidade entre ambos. "A simples verdade é que não posso continuar servindo como ministro de Relações Exteriores se não tenho o apoio da primeira-ministra Gillard", disse Rudd numa entrevista coletiva em Washington. "O único caminho honroso para mim é renunciar." Os apoiadores de Rudd acreditam que só ele seria capaz de conter a fuga do eleitorado na direção do líder oposicionista Tony Abbott e da sua coalizão conservadora, que tem uma sólida liderança nas pesquisas. Mas a ascensão de Rudd à liderança pode afastar do governo os parlamentares independentes, que dão ao minoritário governo trabalhista a sua maioria de apenas uma cadeira no Parlamento. "Estou frustrada pelo fato de as preocupações que o sr. Rudd expressou publicamente nesta noite nunca terem sido abordadas pessoalmente comigo, e que ele tampouco tenha me contatado para discutir sua renúncia antes da sua decisão", disse Gillard num breve comunicado. Analistas dizem que uma mudança na liderança causaria mudanças no governo, incluindo, potencialmente, nas pastas do Tesouro e Defesa, mas teria pouco impacto sobre as políticas públicas ou sobre o resultado da próxima eleição. "Se Rudd fosse brigar pela liderança, acho que certamente nos encaminharíamos para uma eleição em 2012", disse à Reuters o analista político Norman Abjorensen, da Universidade Política Nacional Australiana. "Um governo Rudd seria muito diferente de um governo Gillard, e presumivelmente seria bastante efêmero." (Reportagem adicional de Lincoln Feast, James Regan, Maggie Lu-Yueyang e Michael Perry)

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.