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‘Estadão’ amplia ações de promoção da diversidade racial

Reportagens em parceria com entidades e coluna de escritoras negras estão entre as novidades; empresa também abre curso voltado à qualificação de pessoas pretas, pardas e de baixa renda

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Por Redação

O Estadão amplia neste ano suas políticas de promoção da diversidade racial. Entre as ações adotadas pela empresa estão a criação de um curso voltado à qualificação de pessoas pretas, pardas e de baixa renda e a revisão do manual de redação. Além disso, serão realizados seminário e treinamento com as equipes sobre estratégias para uma comunicação mais inclusiva. Também fazem parte da iniciativa parcerias com entidades de defesa da inclusão racial e a criação de uma coluna para que escritoras negras tratem do tema.

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O novo curso desenvolvido pelo Estadão, em parceria com a Universidade Zumbi dos Palmares, terá duração de três meses, é gratuito para os participantes e oferecerá ajuda de custo aos alunos. Haverá aulas teóricas e técnicas de Jornalismo em várias plataformas, além de conteúdo acadêmico complementar de Direito, Economia, Política, Ética e Português. A ideia é preparar recém-formados de outras áreas do conhecimento para atuar em redações.

Já a atualização do Manual de Redação e Estilo será feita com apoio de uma consultoria externa, especializada na temática racial. O objetivo é propor conceitos, termos, abordagens e recomendações que orientem e inspirem uma postura antirracista nas equipes, de forma a promover a inclusão e combater estereótipos.

Tradicional referência em redação e estilo, o manual do Estadão é fonte de consulta não só para jornalistas do próprio veículo, mas também de estudantes e profissionais de diversas áreas. A versão final do documento será apresentada em seminário interno sobre inclusão racial, com participação de todos os colaboradores do Grupo Estado.

A revisão será um passo inicial para atualizar o documento em relação a mais pautas, como equidade de gênero, diversidade de orientações sexuais, combate ao capacitismo, entre outros. Incorporar debates de inclusão e diversidade nos manuais de redação é uma estratégia adotada também por grandes veículos estrangeiros, como a rede britânica BBC.

Na parceria do Estadão com entidades e coletivos, serão publicadas matérias semanais nas plataformas digitais do jornal. O objetivo é dar mais projeção aos grupos e às discussões fomentadas por eles. Já a coluna com escritoras, em sistema de rodízio, amplia a representatividade das mulheres negras, grupo que sofre mais com efeitos da exclusão social, e traz novas vozes relevantes para o debate público.

A busca por mais representatividade, nas equipes e em conteúdos, já se reflete em outras ações. De 2017 a 2022, a empresa dobrou a taxa de alunos pretos e pardos em seus cursos regulares de trainee (o curso Focas): de 16,4% para 34%. Isso ocorreu após aperfeiçoar o processo seletivo e as políticas de permanência dos trainees.

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Outro exemplo exitoso, na perspectiva de ampliar o alcance da produção do jornal, é o hub de conteúdo multimídia Na Perifa. Esse trabalho, em parceria com a empresa de mobilidade 99, é feito por quem vive a rotina de comunidades periféricas e traz pautas que vão do empreendedorismo à diversidade.

Projeto é conduzido por quem vive a rotina de comunidades periféricas e traz pautas que vão do empreendedorismo à diversidade. Foto: Reprodução/Estadão

As novas medidas vêm após intenso debate interno promovido pelo Estadão desde 2022, que sucedeu um erro de procedimento na cobertura do massacre em duas escolas de Aracruz (ES), em 25 de novembro do ano passado. Por ocasião do episódio e dessas discussões, a empresa também firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de São Paulo para ampliar a promoção da diversidade racial.

A reportagem online em que houve a falha da equipe do Estadão, do dia 26 de novembro, discutia as razões pelas quais atentados em colégios crescem no Brasil. Na véspera, um adolescente, de roupa camuflada e com suástica nazista, matou três professoras e uma aluna a tiros em duas escolas.

Na imagem genérica que acompanhou o texto, era possível ver duas mãos negras segurando um revólver, sem elo direto com os crimes nos colégios capixabas. Internautas apontaram nas redes que a imagem reforçava um estereótipo de vinculação da população negra à violência.

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As críticas se multiplicaram depois de postagens de políticos e influenciadores. É prática recomendada no jornalismo privilegiar a imagem factual. Neste caso, havia reproduções do registro do atirador feitos pela câmera de segurança da escola, amplamente usadas pela imprensa na cobertura. Outras imagens, como a do velório das vítimas, ainda não estavam disponíveis.

Em meio à pressa da cobertura, a escolha da imagem não envolveu discussão mais ampla. Diante da repetição dos registros do circuito de segurança na cobertura sobre o atentado, a opção foi incluir como segunda imagem uma foto genérica, que remetesse a armas. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a facilidade no acesso a armas está por trás da alta de crimes desse tipo.

A foto usada constava no sistema interno do Estadão e havia sido feita em janeiro de 2019, para uma reportagem sobre clubes de tiro no País. Por isso, em buscas por palavras-chave como ‘tiro’ e ‘arma’, essa foi uma das opções oferecidas pelo software.

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Na proposta de ser uma imagem genérica, foram tomados alguns cuidados, como não identificar o atirador nem o contexto em que a foto foi feita. O objetivo era de foto ilustrativa, que desse a ideia do tema central da matéria.

Após identificar o equívoco, o Estadão, na tarde do sábado, 26, alterou a foto na matéria, apagou a postagem nas redes sociais e publicou nota de esclarecimento. “Uma versão anterior deste post usou uma imagem inadequada para ilustrar a reportagem. Alertados por nossos leitores, trocamos a foto, corrigindo o erro.”

Aprender com erros e aperfeiçoar protocolos já são parte da nossa rotina. O próprio debate sobre massacres em escolas serve de exemplo. Como cobrir sem espetacularização da violência? Como fugir de explicações reducionistas? De que forma evitar o protagonismo dos autores?

Em abril deste ano, após novos ataques em escolas, o Estadão passou a adotar como política editorial a não divulgação de imagens e informações sobre autores de massacres. O objetivo foi reduzir o risco de efeito contágio da violência e de glorificação dos agressores em comunidades online de ódio. A decisão se baseou nas evidências científicas, no alerta de especialistas e na reflexão crítica da redação.

A postura propositiva, para desafios do Brasil e do jornalismo, é um dos nortes do Estadão. Aprimorar o letramento racial, aumentar a diversidade das equipes e afinar os canais de diálogo da empresa com a sociedade são necessidades constantes na busca de uma comunicação mais inclusiva.

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