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Febre maculosa está em expansão no Estado

Doença, que em 2011 matou 53% dos infectados, é contraída em geral pela população rural, que tem contato com capivaras e cavalos com carrapatos

Por Ligia Formenti e BRASÍLIA
Atualização:

A febre maculosa está reemergindo na área rural de São Paulo. Transmitida pela saliva do carrapato, a doença atingiu neste ano 40 pessoas. "Nitidamente, ela está em expansão no Estado", constata o coordenador de controle de doenças da secretaria, Marcos Boulos. O estudo Saúde Brasil 2011, do Ministério da Saúde, mostra que São Paulo concentra 70% de todos casos registrados no País entre 2007 e 2011. Em 2010, foram 57 casos no Estado. No ano passado, 73. Nesse período, a letalidade passou de 37% para 53%. "O diagnóstico tem de ser feito rapidamente. Mas muitas vezes o médico demora a suspeitar de febre maculosa", diz Boulos. Quando a doença evolui para a forma grave, o tratamento fica difícil. Os surtos registrados no Estado ocorrem na população do campo, geralmente entre aqueles que têm contato com capivaras, cavalos e, mais raramente, cães e gatos portadores de carrapatos infectados. Para Boulos, o aumento do número de casos pode estar relacionado à expansão da população de capivaras. "É preciso discutir como esse fenômeno pode ser revertido. Há uma questão ambiental, mas estamos falando de saúde pública", completa. O aumento da letalidade da febre maculosa é registrado em todo o País. Em 2011, a taxa nacional foi de 38%. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, afirma que a variação não é algo marcante. "Temos de olhar os números com cuidado. Como o universo de pacientes com a doença é pequeno, qualquer alteração provoca uma diferença porcentual significativa", diz. O secretário atribui o aumento, também, à melhora da investigação das causas de morte. Mesmo com essas ressalvas, Boulos e Barbosa avaliam ser necessário aumentar a rapidez no diagnóstico. Os primeiros sintomas geralmente aparecem uma semana após a picada do carrapato contaminado. O quadro é parecido com o de outras doenças, o que dificulta a identificação: dor no corpo, febre, falta de apetite. A diferença são manchas avermelhadas em todo corpo, num segundo estágio, seguidas por problemas renais, neurológicos e hemorragias. "Médicos devem perguntar se o paciente esteve em áreas rurais, em contato com carrapatos ou animais como cavalos e capivaras", afirma Barbosa. Pessoas que vão para o campo ou têm contato com animais devem relatar o fato para médicos. Hantavirose. O Saúde Brasil 2011 destaca aumento de letalidade por hantavirose no País. A taxa nacional de 2011 foi a maior registrada desde 2000:53% dos pacientes morreram. Barbosa afirma que esse aumento é associado aos mesmos fatores: diagnóstico tardio, melhora na identificação das causas de óbito e um universo relativamente pequeno de casos, o que leva a porcentuais elevados de variação. "Assim como a febre maculosa, os sintomas da hantavirose são parecidos com os de outras infeções, daí a necessidade de o médico estar atento", afirma Barbosa. "São duas doenças graves, cujo desfecho está intimamente ligado ao diagnóstico precoce."Entre 2000 e 2011, foram confirmados 1.440 casos da hantavirose em todo o País. Mato Grosso registrou o maior número de casos: 240, o equivalente a 16,6% do total. A doença é transmitida por roedores silvestres e provoca uma síndrome pulmonar.

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