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Incêndio em camelódromo no Rio foi o terceiro em 6 anos

Por Alexandre Rodrigues
Atualização:

O incêndio que destruiu hoje pelo menos 100 boxes do camelódromo da Rua Uruguaiana, no Centro do Rio, foi o terceiro a atingir o local nos últimos seis anos. Ninguém ficou ferido, mas o ambiente entre os comerciantes que observavam de longe o trabalho de rescaldo era de desolação. A maior parte dos que perderam mercadorias tinha acabado de estocar artigos para o Natal. O camelódromo tem ao todo 1.600 boxes. Segundo os bombeiros, o fogo começou em um dos boxes da quadra C, entre a Rua Senhor dos Passos e a Uruguaiana, que tem 485 unidades, e espalhou-se rapidamente. Avisados por colegas, dezenas de comerciantes foram ao local para tentar salvar mercadorias. Eles suspeitam que o fogo tenha sido iniciado com o curto-circuito provocado por dois ventiladores esquecidos ligados num dos boxes. Alguns comerciantes comentavam que os bombeiros não conseguiam abrir o hidrante mais próximo. O tenente-coronel Cesar Melhem, que comandou a operação, admitiu que os bombeiros tiveram de quebrar parte da calçada em torno do hidrante, para ter acesso ao registro do dispositivo, mas negou que tenha faltado água. "Às vezes passam uma massa, algo indevido, no local, bloqueiam o hidrante, e a gente tem que quebrar. É isso que as pessoas acham que é um problema, mas não houve falta de água", afirmou. Os bombeiros usaram também a reserva de água do metrô para abastecer as mangueiras. Melhem disse que os bombeiros tiveram dificuldades para entrar nos corredores estreitos do camelódromo. Segundo ele, o incêndio se intensificou rapidamente por causa da grande quantidade de produtos inflamáveis, como CDs e artigos de plástico. Apesar de admitir que os fios aparentes e as ligações elétricas irregulares representam risco de incêndio, o oficial disse que só o laudo da perícia poderá identificar a causa do fogo. "Não é um local de grande risco. Tem um risco devido ao material que eles estocam, mas existem situações piores do que isso aqui", afirmou. Segundo comerciantes, a associação dos lojistas estava planejando um reordenamento do sistema elétrico do mercado. Peritos estiveram no local após o incêndio e o resultado deverá ser conhecido em vinte dias.

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