PUBLICIDADE

Mágicos da tesoura

Hideaki Iijima, dono da rede Soho, conta os segredos japoneses para os cabelos brasileiros

Por Natalia Zonta
Atualização:

Hideaki Iijima estava do outro lado do mundo e não imaginava que no Brasil houvesse tanta gente interessada em ter cabelos lisos. Afinal, ele vivia no Japão uma realidade inversa: passava o dia tentando dar volume aos cabelos das japonesas, em um dos melhores salões de Tóquio. Isso na década de 1970. Dono da rede Soho, com 26 unidades e 2 escolas, Iijima é um dos orientais que fazem a cabeça das brasileiras – e, aos 57 anos, tem várias histórias como essa para contar.   Veja também:  Para combater o stress, shiatsu e tsuya  Hair stylist com jeitão e agenda de popstar   O cabeleireiro notou a diferença entre as japonesas e as brasileiras logo que chegou ao País, em 1979. Em pouco tempo, sua técnica apurada virou um diferencial. "Os brasileiros sempre foram muito criativos, mas poucos tinham noções de teoria naquela época", diz Iijima. Quais eram essas técnicas? "Um dos segredos é segurar a tesoura como se fosse um hashi (palito usado para comer)", explica. "A base precisa ser firme e só uma lâmina se movimenta."   Além desses detalhes, outra característica oriental faz a diferença: a disciplina. "Alguns alunos chegam à escola e já querem fazer cortes. Comigo não é assim. É preciso aprender do princípio."   Se Iijima caiu no gosto dos brasileiros, o Brasil arrematou o coração do cabeleireiro. A paixão fica aparente na pele bronzeada e no estilo despojado: sempre está de bermuda e camiseta. "Aqui é o paraíso. As pessoas são ótimas, o clima é bom e as mulheres, lindas. Meus cortes ficam mais bonitos."   Para retribuir tudo o que recebeu de São Paulo, Iijima varre diariamente a rua onde mora, nos Jardins. "Quando era mais jovem, até debaixo de chuva eu varria a entrada do Parque da Aclimação, perto da minha antiga casa." Esse exemplo deu origem à ONG Zeladoria do Mundo, que uma vez por mês limpa ruas da Aclimação e do Tatuapé, além da Avenida Professor Luís Carlos Berrini.   Japa no cerrado   Hélio Nakanishi, de 50 anos, conseguiu realizar uma proeza: alcançar o sucesso fora do eixo Rio-São Paulo. Neto do primeiro imigrante japonês a chegar a Brasília, ele usou a disciplina oriental para construir sua carreira na capital do País. "Sou um pouco mais moderno, dou mais asas à criatividade, mas estudei e pratiquei muito."   Seu salão é um dos mais bem freqüentados do Distrito Federal e, em alguns momentos, ele esteve mais perto do que queria dos bastidores do poder. Foi Nakanishi quem deu formato chanel ao cabelão de Rosane Collor, em pleno período do impeachment.   Assim como Iijima, ele faz questão de passar adiante tudo o que aprendeu e montou um centro de formação. "Gosto de olhar para as pessoas e ver o que elas têm de talentoso", diz. Hoje, ele tem cinco salões: o Hélio Diffucion des Coiffeurs, o Teshi e três unidades do Metamorphose Cabelo & Maquiagem.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.