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Para governo, dengue cresce no Rio por falta de agentes

Há regiões no Rio com 300 mil habitantes sem unidades básicas e sem informação

Por Alexandre Rodrigues
Atualização:

Uma das razões do alto número de casos de dengue no Rio pode ser a baixa cobertura do Programa Saúde da Família (PSF). Para o Ministério da Saúde, a ação de agentes comunitários ajudaria a controlar o avanço da doença. Levantamento do próprio ministério mostra que o Rio tem uma das menores proporções do País de agentes de saúde e de equipes do PSF com médico e enfermeiro em relação à população: 14,4% e 8,1%, respectivamente (números de janeiro). O prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), diz não ver relação entre o número de equipes do programa e a prevenção da doença. Entenda a epidemia da doença De acordo com os dados mais recentes, o município acumula 19.169 notificações de dengue em 2008, com 28 mortes. Apesar de o Ministério da Saúde arcar com metade dos custos das equipes, aumentando assim os repasses federais para a cidade, a prefeitura do Rio não tem demonstrado interesse em ampliar a rede. Aos técnicos da pasta, as autoridades municipais se queixam do custo do programa, cerca de R$ 30 mil mensais por equipe. Os números indicam, no entanto, um desempenho melhor no combate à doença das cidades que abraçaram o programa. O principal exemplo é Campo Grande (MS). Em janeiro de 2007, a cidade havia superado 20 mil notificações. Este ano, até fevereiro, foram 359. Para o secretário da Saúde de Campo Grande, Luís Henrique Mandetta, a ação dos agentes, que alcançam 93,3% dos 765 mil habitantes (o alcance das equipes completas do PSF é de 25,2%), foi fundamental para reverter o quadro epidêmico e evitar mortes. "Sabemos que os municípios com melhor atenção básica têm mais capacidade de resposta à dengue. Campo Grande teve uma epidemia gigantesca e não teve tantos óbitos como o Rio. A capacidade de mobilização e o acesso ao tratamento é maior", diz o diretor do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, Luis Fernando Sampaio. "Há regiões no Rio com 300 mil habitantes sem unidades básicas. Falta informação. Não dá para buscá-la no pronto-socorro."

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