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Pesquisas sugerem queda de popularidade de Chávez

Números vêm na esteira da primeira derrota eleitoral do governo em 10 disputas.

Por Claudia Jardim
Atualização:

Depois de cinco anos de alta popularidade e nove vitórias consecutivas nas urnas, há alguns sinais de que o presidente Hugo Chávez pode estar perdendo parte do apoio de que desfrutava entre parcelas da população da Venezuela. Duas pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram queda no apoio ao seu governo. Segundo o Instituto Datos, a aprovação do governo caiu de 43% no final de 2007 para 34%. Nos números da empresa Alfredo Keller a queda foi ainda maior: de 50% a 37% só no último trimestre. A popularidade pessoal do presidente caiu de 66% em 2006 para 47% neste ano. Promessas As duas pesquisas foram feitas depois da maior derrota de Chávez nas urnas, a reprovação em dezembro da proposta de reforma Constitucional - e antes do envolvimento de Chávez na recente crise entre Colômbia e Equador. Após a derrota no referendo, o presidente venezuelano prometeu realizar uma gestão pública mais eficiente, com menos retórica e mais ações concretas. Entre as principais preocupações da população, estão a insegurança, corrupção e a constante falta de produtos básicos nos supermercados. Segundo o Instituto Datos, cerca de 40% dos entrevistados atribuem os problemas diretamente ao presidente. Em uma visita a dois bairros da base chavista na periferia de Caracas, a BBC Brasil ouviu avaliações discordantes sobre o governo. Em Lídice, periferia oeste de Caracas, o motoqueiro Jorge Rodríguez , que afirma ter votado em Chávez nas duas últimas eleições, diz estar insatisfeito com a inflação, corrupção e o mal investimento do dinheiro público. "A corrupção é uma doença que vem de muito tempo, já sabemos, mas não se está fazendo nada para acabar com ela. O dinheiro que deve ser invertido em assistência social nunca chega a seu destino. Isso é revolução?", questiona Rodríguez, que diz não saber em quem votará no futuro. Oposição Já Yudexy Brito, membro de um Conselho Comunal no bairro de 23 de Enero, não vê motivos para abandonar Chávez e coloca em dúvida as pesquisas que apontam queda no apoio ao governo. "Você vai acreditar no que publicam os meios de comunicação aqui?", pergunta. "Minha vida melhorou neste governo. Meus filhos estão estudando, o sistema de saúde melhorou, e agora até sobra uns trocados para viajar na semana santa. Onde está a crise? Isso não existia antes", argumenta. Se os levantamentos estiverem corretos, a queda na popularidade de Hugo Chávez pode ter impacto nas eleições estaduais e municipais de novembro e o chavismo - que hoje controla 22 dos 24 estados do país - poderia perder o controle de algumas prefeituras e governos estatuais. Não está claro, porém, se a oposição será capaz de se beneficiar desse fenômeno. Por ora, de acordo com os números do Instituto Datos, o número de pessoas que se declaram nem governo, nem oposição - chamados localmente de ni-ni - tem crescido mais do que os que se declaram oposicionistas. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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