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Plantio direto contra o aquecimento

Vantagens da técnica já superam a conservação do solo. Estudos indicam contribuição para reduzir o efeito estufa

Por Fernanda Yoneya
Atualização:

O plantio direto na palha (PDP) já ocupa cerca de 25 milhões de hectares no País, mas pesquisadores não se cansam de divulgar as vantagens que a adoção da técnica proporciona. ''Embora o sistema já esteja difundido no Brasil, o que se discute hoje é o papel do PDP no cenário das mudanças climáticas globais, pela proteção dada ao solo, pela cobertura com palha. Nesse cenário, de aumento de temperatura e distribuição hídrica irregular, com períodos de seca ou excesso de chuvas, a prática será cada vez mais importante na proteção do solo'', acredita o pesquisador da área de Manejo de Solo e Água da Embrapa Soja, Sérgio Luiz Gonçalves. O plantio direto é adotado, tradicionalmente, no cultivo de lavouras anuais, como soja, milho e trigo, mas, conforme o pesquisador, tem potencial para ser usado em cultivos de hortaliças, pastagens e cana-de-açúcar. A prática consiste, basicamente, em não fazer o tradicional preparo de solo com arações e gradagens. SULCO SOB A PALHADA O preparo da terra resume-se a fazer um sulco, sob a palhada da cultura anterior, onde são depositadas as sementes e os adubos. Para isso, utiliza-se uma semeadora para plantio direto, que faz as operações de corte da palhada, formação do sulco e depósito da semente e do adubo dentro dele, explica Gonçalves, destacando que o PDP diminui os custos de produção e ajuda a reduzir os impactos ambientais. ''Há economia de combustível por não haver necessidade de preparar o solo. Há também a diminuição dos riscos de erosão e da compactação do solo, além de economia de água no sistema solo-planta-atmosfera e melhoria das condições químicas, físicas e biológicas do solo. Com o sistema estabilizado, a produtividade tende a crescer ao longo dos anos.'' Segundo o pesquisador, para a adoção do PDP, é preciso investir na correção química e na descompactação do solo, controlar previamente determinadas plantas daninhas e adquirir uma semeadora específica para o sistema. ''Além disso, é fundamental que exista palhada da cultura anterior, sem a qual não é possível adotar um PDP ideal.'' Para isso, diz Gonçalves, é preciso fazer a rotação de culturas e evitar o monocultivo. ''Sobretudo no inverno, o produtor deve investir no cultivo de plantas de cobertura, que produzam quantidades mínimas de palha.'' E opções de plantas que dão boa palhada não faltam. No Sul, há aveia, centeio, nabo forrageiro e ervilhaca. Em regiões de clima tropical, em sistema de integração lavoura-pecuária, têm sido usadas, com sucesso, algumas espécies de pastagens, como as braquiárias. Na integração lavoura-pecuária, aliás, o PDP é importante aliado. ''Na integração, a palha de braquiária possibilita, por exemplo, o cultivo de soja num sistema de plantio direto ideal. Esse modelo está sendo e será muito importante na recuperação de áreas degradadas, principalmente nos cerrados, na redução do desmatamento de novas áreas.'' INFORMAÇÕES: Embrapa Soja, tel. (0--43) 3371-6000

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