Moïse Kabagambe: Justiça decreta prisão temporária dos três suspeitos do assassinato

Trio foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, por impossibilitar a defesa da vítima e usar meio cruel; um dos presos confessou crime em vídeo, mas negou intenção de matar o congolês

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Por Marcio Dolzan
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RIO - Os três homens suspeitos de participação no  assassinato do congolês Moïse Kabagambe, de 24 anos, e que foram detidos na terça-feira, 1, já estão no sistema prisional. Eles foram encaminhados no início da tarde desta quarta-feira, 2, para a Cadeia José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte do Rio, que serve como triagem.

Segundo parentes,Moise Kabagambe morreu depois de ser agredido por cinco homens após cobrar uma dívida de trabalho em quiosque da Barra da Tijuca. Foto: Facebook/Reprodução

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Os acusados são Fábio Pirineus da Silva, conhecido como Belo; Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca, o Dezenove; e Brendon Alexander Luz da Silva, o Totta. A autorização da prisão temporária foi concedida pela juíza Isabel Teresa Pinto Coelho Diniz, do plantão judiciário, após pedido do Ministério Público do Estado (MPRJ). O trio foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, por impossibilitar a defesa da vítima e por uso de meio cruel.

No pedido de prisão, o MPRJ alega que as imagens de uma câmera de segurança que gravou as agressões a Moïse "comprovam toda a ação delituosa em seu mais alto grau de crueldade, perversidade e desprezo pela vida – o bem jurídico mais importante de todo ordenamento”. O pedido de prisão foi assinado pela promotora Bianca Chagas.

Apesar de decretar a prisão do trio, no despacho a juíza Isabel Teresa Pinto Coelho Diniz, do plantão judiciário, reiterou que “ainda existem diligências e atos investigativos a serem realizados a fim de que os fatos sejam melhor elucidados", e que a prisão temporária "visa assegurar a eficácia das investigações para, posteriormente, possibilitar o fornecimento de justa causa para a instauração de um processo penal". 

Antes de ser preso, Aleson gravou um vídeo admitindo a participação nas agressões que resultaram na morte de Moïse. Negou, porém, a intenção de matá-lo. 

"Eu sou um dos envolvidos na morte do congolês. Quero deixar bem claro que ninguém queria tirar a vida dele, ninguém quis fazer injustiça, porque ele era negro ou alguém devia a ele. Ele teve um problema com um senhor do quiosque do lado, a gente foi defender o senhor, e infelizmente aconteceu a fatalidade de ele perder a vida", afirmou na gravação. 

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